por Henrique Fernandes » sexta fev 11, 2011 11:43 pm
Companheiros:
Fico sempre feliz com a “polémica”, pelo menos com aquela a que aqui assisti, vertida no fórum com elevação e o devido respeito pelas (diferentes) opiniões dos outros companheiros.
O companheiro Decarvalho é alguém que, de entre os muitos com quem convivi, considero dos mais habilitados e conhecedores em relação ao universo e à legislação coligada, ou coligável, ao nosso autocaravanismo itinerante. Em relação ao POOC da Costa Vicentina, sei que foi das pessoas que mais montanhas moveu para tentar dar o seu a seu dono. E como eu sei o quanto isso custa! Também eu escrevi ao Provedor de Justiça, também eu intervim no âmbito da discussão pública do POOC, etc, etc, etc. Como, aliás, sei que sucedeu com muitos outros companheiros, os quais por acaso nem sequer se manifestam habitualmente neste fórum, e cujo esforço individual desconheceremos por isso para sempre.
Mas a verdade é que continuamos a estar um passo atrás de uma certa forma de se olhar para o autocaravanismo. De quem é a culpa? Do empenhado Decarvalho? Do CAI e do CAS? De mim próprio? Do emergente CGA? De alguns outros autocaravanistas (sócios do CPA) que sei que também intervieram oportunamente na discussão do POOC? Dos autocaravanistas que nunca dão o corpo à causa? De muitos outros que aqui intervêm com mérito e boa vontade? Talvez…
A verdade é que há uma ideia – mal feita - sobre o autocaravanismo, ideia que todos temos de mudar. Isso passará por motivar, antes de mais, e na minha humilde opinião, num Portugal cheio de outros problemas quase inultrapassáveis, os autarcas locais. Gostaria que existissem no nosso país pelo menos uns 20 ou 30 “micro-clubes” de autocaravanistas, com entre 10 a 50 sócios cada, dando cobertura “especializada” às porções “mais difíceis” do território nacional. E que esses clubes se integrassem, ou federassem, ou associassem, um dia, numa qualquer entidade que os representasse e que deles retirasse a sua força!
Aí sim, teríamos a participação e envolvimento de 60 ou 70% dos autocaravanistas nacionais. Qualquer outro modelo mais “centralista” pode, facilmente, obter para aí uns 2 mil sócios num único clube, que será quase, qual Adão no paraíso, o único homem a poder conquistar a Eva. Mas, e então, os outros 8 a 10 mil autocaravanistas portugueses, onde ficam? Quem os motiva, quem os envolve, quem os “educa”, quem os “arrasta” para a causa”? A eles que, na maior parte das vezes, desconhecem os muito louváveis e dedicados membros da direcção do tal mega-clube central, mas que conhecem ao invés o seu presidente da junta ou o seu presidente da câmara?
Acham os companheiros que esta assunto do POOC da Costa Vicentina estaria no “buraco” em que efectivamente se encontra (com uma meia vitória ou uma meia derrota, como queiram chamar-lhe…) se não estivéssemos “pendurados” apenas nas iniciativas algo “individuais” e “bem-intencionadas” de um insignificante Henrique Fernandes, ou de um interventíssimo e mui conhecedor Decarvalho, ou de uma esforçadíssima Ana Pressler, ou de um diligente e bem intencionadíssimo DeMatos, e por aí fora, até quase ao infinito?
O problema é que nós não temos, por muito que nos custe reconhecer, ao mesmo tempo, três coisas fundamentais para lidar com esta necessidade premente de fazer a maré correr contra a Lua: ORGANIZAÇÃO, MOTIVAÇÃO (ou vontade) e LEGITIMIDADE.
ORGANIZAÇÂO, por motivos óbvios. Se tivéssemos alguma organização que se visse (todos nós…), nem sequer estávamos aqui a discutir tudo isto…
MOTIVAÇÃO ou vontade: lá isso tenho eu, o Decarvalho, a Ana Pressler, o Alexandrechora, o José Gonçalves, o Nelsontiago, o Danibeja, a Cookie, e para aí umas centenas (sócios do CPA ou não), de entre os quais aqueles que se dão ao trabalho de participar neste fórum. Mas isso não basta.
LEGITIMIDADE – refiro-me à legitimidade legal – têm, por exemplo (e falo do que conheço melhor) o CAS, o CAI, o CGA, eventualmente até o CPA, e outros, bem todas as entidades que de algum modo registem na sua escritura de constituição a sua vocação para defenderem o autocaravanismo itinerante, e ainda acessoriamente quem, pela sua participação individual, acrescente algo mais ao interesse evidente da comunidade.
Como casar estes 3 pilares fundamentais, com alguma subjectividade de permeio?
Em minha opinião, ou aqueles que têm os números (i.,é., a ORGANIZAÇÃO) migram para a MOTIVAÇÃO e a LEGITIMIDADE, ou terá de percorrer-se um dia o caminho inverso. Já existem alguns clubes neste último universo, porventura pequeninos, mas em contrapartida genuinamente motivados e garantidamente 500% legítimos e vocacionados só para o autocaravanismo. Se forem olhados com “desprezo” pelos actuais (ainda) donos dos números, as dificuldades poderão vir a revelar-se maiores no futuro.
Peço-lhes que reflictam nisto.
Ah, só para terminar: defendo a criação de AS e pernoita para ACs, mas como forma de descriminação positiva. De facto, os nossos veículos são mais difíceis de estacionar e manter do que outros, por isso devem beneficiar de “protecção especial”. Fora dessas AS e pernoita a criar, que se aplique então a legislação geral, ficando as nossas ACs em condições de concorrência geral com todos os outros veículos, claro que em respeito pelo Código da Estrada e pelas boas práticas recomendadas na via pública para o autocaravanismo itinerante (não campista).