Porquê? Porque há crise e porque os hoteleiros estão a ver os seus lucros voarem para a Turquia, Grécia, México...etc. Até aqui a defesa era (e ainda é!) o Golf e os hoteis de 5 e até 6*.
Dizia o antigo ministro Manuel Pinho que o Algarve deveria tornar-se numa zona de turismo de qualidade, promovendo os estabelecimentos de 5 e 6*, em detrimento do turismo de massas. Não há visão para mais!
Tudo isto é bonito quando nada é preciso fazer para atrair turistas - o sol e a praia fazem esse trabalho.
E agora que há crise, mau tempo e outros mercados mais baratos a atrair turistas? Será melhor olhar para as novas motivações, não é?
Mas essas motivações e esses novos turistas, como os Turistas Itinerantes, não podem ser tratados aqui como marginais ou infractores. Têm de ser tratados com consideração, isto é, como TURISTAS. São estes que não têm medo do Inverno. São estes que dão directamente o seu dinheiro às populações, e não aos grandes grupos económicos, comprando um pack, no seu próprio país, com tudo incluído (até as refeições!).
Vale a pena pensar antes de deitar fora aquilo por que muitos, lá fora, lutam para ter - a presença dos autocaravanistas!
Retirado de Jornal do Algarve - Fernando Reis
*3-3-2010/11:16 |
A crise do turismo não é de hoje. A recessão económica agravou o problema, mas a quebra no turismo começou há uma década atrás, quando os turistas começaram a fugir do Algarve, por razões várias, sobre as quais importa reflectir, mas das quais sobressai uma ideia fulcral. O turista actual tem um perfil diferente daquele que nos visitava até aos anos noventa.
Esta é a tese, sustentada numa interessante entrevista ao nosso Jornal, por umas das grandes autoridades na matéria, que já teve responsabilidades governativas, Vítor Neto.
De uma forma lúcida, simples e objectiva, Vítor Neto chama a atenção para o desajustamento entre o tipo de oferta turística e a natureza e apetência do visitante actual, que já não procura, apenas, sol e mar. É esta realidade que temos que ter presente quando pensamos na quebra de 3 milhões de dormidas, no Algarve, na última década e queremos inverter a tendência.
A internet transformou o mundo e, obviamente, também o paradigma do turista, o modo de escolha do destino e a forma de viajar.
Hoje, mais do que nunca, um destino afirma-se tanto melhor quanto mais diferenciado for dos outros. Isto é, quanto mais genuína e autêntica for a sua oferta. E nesta perspectiva o Algarve tem um enorme manancial para oferecer. Na história, no património, na gastronomia, na paisagem e no ambiente.Assim como, num tipo de oferta cada vez mais procurado, como é a do turismo da natureza e numa outra, emergente, com um enorme potencial de visitantes que é a do turismo acessível.
Temos que ter consciência que o Algarve, apesar da sua extraordinária e qualificada oferta ao nível do golfe, não pode continuar a promover-se quase, exclusivamente, como um produto orientado nesta direcção.
Há, em toda a Europa, 120 milhões de pessoas com diferentes graus de limitação ao nível da mobilidade, que podem e devem ser atraídos para a nossa Região, desde que saibamos preparar-nos para os receber, nomeadamente, readaptando o alojamento e os espaços urbanos às suas necessidades.
O que nos tem faltado, em nossa opinião, é um Algarve falando a uma só voz e com uma estratégia de médio e longo prazo, capaz de promover a Região em torno daquilo que são verdadeiramente os seus trunfos.
Em tempos, um pouco nesta linha, mas sem grande crença e perspectiva de continuidade, promovia-se um “Portugal desconhecido “. Hoje, pela mão da Entidade Regional do Turismo Algarvio, volta a apostar-se numa campanha que fala do Algarve como “um segredo muito bem guardado”.
Dois tempos uma mesma ideia. Com uma diferença. Desta vez não há margem para desvios.Temos que ser, forçosamente, consequentes na estratégia preconizada, se quisermos crescer.

