por Henrique Fernandes » sexta mar 30, 2012 12:28 am
Cara companheira Teresa Paiva:
É claro que o mundo autocaravanista não começou a girar apenas com o aparecimento da FPA. Há um trabalho que está para trás, sobretudo ao nível do CPA, a quem todos (autocaravanistas 100% itinerantes, ou não) muito devemos. E continuamos a dever no dia a dia.
Quanto à FCMP, na minha humilde opinião, a dívida é substancialmente menor.
Mas acredite que muito do que vai acontecendo, doa a quem doer, é, também, consequência da criação da FPA em Junho de 2010. Basta olhar para este tópico para perceber como tenho razão…
Ao contrário da companheira, acho mesmo que uma Federação com centenas de associados está realmente preocupada com a FPA. Se assim não fosse, não teria sobrevindo a tentativa de impugnação judicial, que continuo a considerar absurda (nunca a considerei ilegal).
Quanto à filiação de centenas de autocaravanistas nos «seus Clubes de Campismo onde se iniciaram no campismo até evoluírem até ao autocaravanismo», acho muito bem. Assim como acho bem que aqueles que não partilham desta visão (eu, por exemplo) se filiem noutro lado, sejam eles muitos ou poucos. Como diz o povo, amigo não empata amigo.
Relativamente à sua afirmação [«apenas considero que as instituições se devem mudar intervindo nelas e que somos um País pequeno demais para andarmos a tropeçar uns nos outros, criando organismo em cima de organismo que só se atrapalham uns aos outros, desperdiçando energias apenas a ver quem tem os saltos mais altos»], não conseguiria discordar mais da companheira. Considero que somos um país "pequeno" exatamente por falta de iniciativa e de diversidade associativa.
Para não nos atolarmos no autocaravanismo, permita-me, ainda que de forma um pouco espúria, que traga aqui um exemplo da sociedade civil que sustenta melhor aquilo que defendo. Em Portugal a eletricidade é fornecida em regime de monopólio ou de quase monopólio (EDP, Iberdrola, mais alguém?). Na Noruega há mais de 3 mil pequenas empresas produtoras e distribuidoras de eletricidade. Nenhuma com 1/10 da dimensão da EDP, nem nada que se pareça. E a eletricidade é incomparavelmente mais barata do que em Portugal…
Eu, nesta questão do autocaravanismo, sou daqueles que caminham descalços. Diga-me por isso a companheira quais os cargos que acha que ocupo (no CGA ou na FPA), ou o tamanho dos saltos que uso, para que eu tente perceber se a sua afirmação me era intencionalmente dirigida, ou não.
Quanto às questões de «legalidade», pendentes do seu muito louvável e público reconhecimento do direito à existência por parte da FPA e simultaneamente da legítima opinião que tem acerca da impugnação da criação da FPA,já estou como o ceguinho: a ver vamos aquilo que o futuro nos reserva…
Em relação aos «crescidinhos e papões», nem nós somos papões, nem os crescidinhos fizeram todo o trabalhinho de casa. Caso contrário não teriam surgido três novos clubes e uma federação! Ou não será assim?