por Henrique Fernandes » terça fev 22, 2011 11:01 am
Sobre as diversas intervenções neste tópico, gostaria de dizer o seguinte:
Reparei que na reunião promovida pelo ONGA esteve presente o Dr. Manuel Dias, em representação da AECAMP. Confessando desde já o maior respeito pelos restantes participantes, bem como pelos promotores da referida reunião, e, certamente, pelas boas intenções de todos eles, gostaria de deixar bem clara a relação entre tal personagem e a minha consequente desconfiança pessoal em relação ao evento, desta forma publicitado.
Não vou aqui explicar o porquê das minhas dúvidas em relação ao Sr. Manuel Dias, pois as mesmas foram bem escoradas noutro tópico deste fórum («carta ao administrador da Orbitur»). Direi apenas que o Time-Out sintetizou muito bem o assunto quando recuperou a seguinte citação, por sinal atribuída e nunca desmentida, ao Sr. Manuel Dias:
«...as autarquias e autoridades deviam fiscalizar e actuar em conjunto e levar os autocaravanistas a criar valor económico nos parques de campismo... / ...apesar de uma autocaravana poder estar parada num parque automóvel, isso não dá ao condutor o direito de aí pernoitar, uma vez que está a fazer do transporte um espaço de alojamento... / ...se, por força da lei, os parques de campismo estão obrigados a estruturar-se para receber este tipo de turistas, não se percebe por que têm de continuar a ver o seu negócio na rua...»
Em resumo, evento em que participe esse senhor nunca contará com o meu entusiasmo, pelo menos até que a autoria dessas afirmações seja comprovadamente repudiada. É minha convicção de que o mesmo sucederá com muitos outros companheiros autocaravanistas…
Em relação à intervenção do Vitor Andrade («O que pensam os clubes, ou seja as suas direcções, do que está a acontecer? Como pensam reagir? Continuam a fazer encontros e a concorrer nas AS. Onde está a sua estratégia?») tenho de informar os companheiros de que os clubes respondem, antes de mais, perante os seus sócios. Não têm de dar este tipo de “satisfações” em público, apenas porque fazê-lo seria, em minha opinião, um mau princípio. Isso não quer dizer que não informem sobre as suas actividades. Mas fá-lo-ão quando entenderem e como entenderem. Nunca quando outros entenderem…
Pela consideração pessoal que me merece o Vitor Andrade não vou demonstrar aqui como ele está 100% equivocado nos seus pressupostos, pelo menos em relação ao CGA-Clube Gardingo de Autocaravanas (e, creio também, em relação a outros clubes). Direi apenas que, muito antes de muitos outros, incluindo aparentemente do próprio ONGA, o CGA fez o que tinha a fazer (em coordenação institucional com outros clubes…), junto de entidades oficiais, no que concerne à temática da sinalética para o autocaravanismo. Vou enviar por mail pessoal ao Vitor Andrade um prova (apenas uma…) de que isto que aqui afirmo é verdade. Aos restantes companheiros, que não suscitaram o mesmo tipo de “dúvidas” sobre a actuação dos clubes, penso que bastará a minha palavra de que assim foi. Claro que se na altura tivéssemos publicitado as nossas iniciativas teríamos logo sido acusados de “protagonismo”, de querer “representar todos os autocaravanistas”, etc., etc. (a conversa do costume). Por isso optámos, após discutir o assunto entre clubes, pelo trabalho de formiguinha em recatada discrição, com o inconveniente de agora sermos, como se esperava, presos por ter cão e por não ter.
Mais informo que muitas outras diligências, tantas delas com uma precocidade assinalável em relação às legitimamente anunciadas posteriormente por outras entidades, têm ocorrido por iniciativa, digamos “anónima”, dos pequenos clubes, com a única preocupação de contribuírem, com humildade e desprendimento, para melhorar a situação do autocaravanismo em Portugal. A nossa política continua no entanto a ser a de alguma moderação na publicitação dessas iniciativas, conhecedores que estamos de que quem eleva demasiado a cabeça arrisca-se a passar a ser um alvo. De facto, como só representamos os nossos sócios, é apenas a eles que por enquanto informamos regularmente.
Em todo este contexto não consigo, naturalmente, perceber em que medida a implantação de AS por iniciativa dos pequenos clubes, bem como os encontros de autocaravanistas, possam ser prejudiciais à nossa causa comum!?...
Direi ainda que se o CGA for contactado para participar num processo mais COORDENADO e ALARGADO de intervenção (com mais clubes, entidades, movimentos, etc.) junto das entidades públicas, relativo à legislação para sinalética ou para outras áreas de interesse dos autocaravanistas, dará o seu modesto contributo, com o maior empenho. Mas nunca o fará se no mesmo barco estiverem personalidades como o Sr. Manuel Dias ou entidades como a AECAMP, que nada têm a ver com o autocaravanismo itinerante! Se o CGA não for solicitado a essa “agregação funcional” inter-pares assumirá que se considera desnecessário o seu envolvimento e participação “grupal” nesses processos, e limitar-se-á então a continuar a trabalhar autonomamente com os clubes, entidades e pessoas com quem já vem colaborando discretamente, até à data em que estejam criadas as condições efectivas (que ainda não existem...) para o surgimento de uma Federação Autocaravanista Portuguesa.
Henrique Fernandes, membro do CGA-Clube Gardingo de Autocaravanas