Companheiros,
Ponderei a oportunidade de responder directamente aos directores do "Público" e do "Correio da Manhã" sôbre procedimentos menos correctos de autocaravanistas na costa alentejana. Concluí, que seria mais um protesto inócuo. A noticia ou repúdio de hoje, já é velha e desconhecida, amanhã.
O mal já está feito. Resta dar a conhecer o reverso da medalha e atenuar o prejuízo causado.
Escrevendo-a aqui, fica registada enquanto os administradores do fórum assim o entenderem e acessível, se interessar, a quantos a queiram transplantar em defesa do autocaravanismo itinerante.(MIDAP-CPA-outros).
1º. Não assacamos culpas às administrações e a todo o conjunto jornalistico, quando nos transportes, jardins e outros lugares públicos, encontramos páginas e páginas de jornais, espalhadas, dando um péssimo aspecto ao ambiente circundante.
Sabemos discernir que foram pessoas pouco civilizadas que o fizeram. Não apontamos especificamente um sector, dentro de um grupo.
Assim, um bom jornalista têm o cuidado de relatar, definir e separar, bons e maus procedimentos, pois sendo generalista, vai englobar nos seus comentários depreciativos todo um grupo que na sua grande maioria, age correctamente.
Quando o anátema foi lançado todo o mundo esqueceu que o autocaravanista, é por exemplo, o automobilista que diáriamente usa o seu utilitário, para o trabalho e regresso a casa, cumpridor de leis e principios civicos.
Só porque conduz uma autocaravana, deixa então de ser civilizado ?
Não esqueçamos que o "pecaminoso"autocaravanista, como a imprensa o detracta, provém de todas as classes sociais do nosso país, muitos com níveis académicos bastante elevados e são cidadãos exemplares.
Será que conduzindo uma autocaravana, passam a ter comportamento reprovável ?
Felizmente , um jornalista escreveu - " um condutor esbracejava, carregava na buzina e dava murros no volante " - automobilista certamente ! Deduzo, porque não assinalou tratar-se de um "condutor" de autocaravana. Logo aí, impunha-se um racíocinio. Estou a observar quantidades diferentes, desde já tenho de separar o trigo do jôio!.
Quase que corroboro o que escreveu - já tenho visto e ouvido, automobilistas portugueses a buzinarem contra veículos de matricula estrangeira.
2º. No portal
http://www.campingcarportugal.com pode constattar-se a frequência de recomendações para uma boa prática do turismo itinerante.
Há alguns anos editaram uma brochura "Saber viajar em Autocaravana" e a reprodução está presente na página de abertura.
Não me parece existir qualquer fórum automobilista com o mesmo tipo de cuidados !.
Actualmente, autocaravanistas portugueses., percorrem a Europa. Não vão de avião para as cidades e estâncias balneares estrangeiras. Apuram o seu civismo pelo caminho. O mesmo acontece com os estrangeiros vindos ao nosso país.
Apesar de tudo haverá sempre alguém a conspurcar a imagem daqueles que procedem correctamente. Não menos importante, a ajuda das autarquias que se divorciaram, dos deveres na criação de facilidades, fácilmente encontradas no estrangeiro, para o novo tipo de mobilidade turistica.
Talvez seja útil focar a atitude de muitos autocaravanistas quando envidam todos os esforços em beneficio dos demais utentes das vias em especial, ultrapassagens. Colocados a um nível superior aos tejadilhos automóveis com mais amplo campo visual, accionam os piscas da esquerda quando há perigo e os da direita para assinalar via livre.
Praticado por todos a circulação o mais à direita possível.
Estou certo que muitos automobilistas, confirmarão estas práticas.
3º. Várias localidades lamentam-se da invasão e municipalidades fazem côro, apodando o autocaravanista, como se fôra uma das pragas do Egipto.
Entretanto, esquecem os milhares de euros que êstes utilizadores no seu espaço, deixam diáriamente em mercados municipais, lojas, supermercados, cafés e restaurantes, verão e inverno.
Apesar dos anos estas autarquias, nada aprenderam e o exemplo flagrante é o de uma vila, que tinha a simulação de uma área de serviço - um buraco no chão para despejos e uma torneira - foi extinta há cêrca de ano e meio.
Será que o comércio local nada lucrou com a invasão dêstes últimos dez anos e por conseguinte os poderes constituídos, não tiveram ainda modo de proporcionar, serviços básicos em condições ?
Porque não aprendem com as autarquias do interior que têem vindo a incrementar áreas de serviço com o intuíto de captar êste turismo itinerante ???
4º. Há uma falsa ideia partilhada por muitas autarquias, quer na costa alentejana quer na algarvia - o todo poderoso "package tour"! Grande em números, concordo! Mas será em termos financeiros ? Vejamos, a parte de leão do custo das passagens, hotel e refeições, fica nas agências de viagens dos países de origem. Especialmente como declarado pelos hoteleiros: primavera, outôno e inverno a ocupação serve apenas para os manter à tôna de água.
No outro vértice - autocaravanismo estrangeiro ou nacional. Quando chegam, já esgotaram todas as reservas comestiveis que traziam. Vão comprar diáriamente para a sua subsistência. Mais gastariam em Portugal em vez de Espanha, fôssem os nossos combustíveis equiparados.
Numeroso grupo permanece vários meses em parques de campismo no Alentejo e Algarve.
Os nacionais colmatam a quebra de receitas e ajudam o Algarve a sobreviver.
Que fazer ? Aconselhar nacionais e estrangeiros a utilizar apenas o retangulo deste Portugal, acima de Sines, visitar e permanecer no Sul de França e Espanha, enquanto os autarcas do Alentejo e Algarve, vão "sonhar" as modificações estruturais necessárias às suas zônas ?
A contra-gôsto, podemos ajudá-los, recomendando aos estrangeiros, aos nossos familiares e amigos, para banirem completamente o litoral alentejano e algarvio dos seus projectos de viagens.
As municipalidades destas zonas, posso sugerir que passem as férias e periodos de descanso na Ilha do Pessegueiro, pois onde quer que se desloquem vão contribuír com a sua presença e dos seus veículos para aumentar a concentração populacional e dificuldades rodoviárias.
5º. Colaboradores do Portal já mencionado nêste texto, produziram alguns milhares de panfletos em francês e inglês, realçando as belezas do nosso país e convidando estrangeiros a visitar-nos. Do mesmo modo e ainda em português, sôbre a Nova Aldeia da Luz e sua área de serviço. Tudo feito às suas custas e distribuído através da Europa até tão longe como Napapirii - Circulo Polar Ártico - Finlândia. Também, com expositor presente no 75º Rally da Federação Internacional de Campismo e Caravanismo e Federação Francesa de Campismo e Caravanismo, em Villebon-sur-Ivette, 20 Kms de Paris,França, entre 4/12 Julho de 2008.
Pode algum autarca, dos que acusam e escorraçam os autocaravanistas igualar o que foi feito por tão poucos em benefício de tantos em Portugal ?
Cumprimentos
Jorge Santos
Cascais