por Henrique Fernandes » terça jan 25, 2011 10:42 pm
Sou 100% contra as portagens nas SCUTs (todas as SCUTs...) e considero a invocação sistemática do princípio do utilizador-pagador uma grande treta!
Falemos primeiro das SCUTs: foram financiadas, em grande parte, por fundos comunitários, exactamente na expressa condição de não serem portajadas. Além disso grandes extensões das SCUTs foram construídas sobre as estradas pré-existentes, inviabilizando hoje alternatíveis razoáveis ao pagamento da portagem.
Por outro lado, e reportando-me já ao princípio do utilizador-pagador, porque hei-de eu pagar (com os meus impostos) o túnel do Marquês, os túneis da Madeira, tantas das pontes do nosso país, ou outras infraestruturas que nunca uso ou usarei, ou que apenas uso muito raramente, por sinal em igualdade de sobrecarga fiscal com quem lá passa todos os dias?
Ou, para hiperbolizar, porque hei-de financiar ainda, com os meus impostos, hospitais e centros de saúde públicos , se nunca precisei deles, ou se não vou precisar simplesmente por ter decidido suportar os custos adicionais com um seguro de saúde por conta própria?
O problema de base reside no facto de as SCUTs terem sido construídas à sombra das famigeradas PPPs (parcerias público privadas), as quais foram o negócio do milénio para meia dúzias de xico-espertos (incluindo muitos políticos), à custa dos papalvos (que somos nós...) que agora se vão esfalfar a pagar esses lucros obscenos, e que se limitam (porque não sabem o que fazer diferentemente) a descarregar a sua revolta neste tipo de intervenções a que também eu aqui me resigno!...
Quanto às considerações sobre os prejuízos de longo prazo para a imagem e a economia local e do país, que até estão correctas, a gente que nos (des)governa está-se há muito tempo nas tintas. Interessa é "resolver" o problema financeiro no imediato, ainda que à custa de uma agravamento inusitado e incontrolado do mesmo no futuro. Nessa altura já estarão devidamente "governados", e o povo anónimo que recorra então à arte e ao engenho tão portugueses, e se desenrasque!