por Henrique Fernandes » terça jan 19, 2010 12:05 am
Companheiros:
Pois bem, prometi e agora vou imolar-me...
Em Agosto/09, a caminho de Itália, circulava atrás de outra AC (de um irmão), numa auto-estrada para os lados de Pamplona. A auto-estrada nunca mais acabava, era sempre a direito, não havia trânsito de monta, não havia onde parar, tudo parecia uma eternidade.
Não queria atrasar-me em relação ao meu irmão, com o qual existia alguma tensão relativamente à data combinada para chegarmos a Veneza.
Tinha a bexiga a rebentar (andava com problemas urinários) e, como era tudo a direito e só via o meu irmão 1 km à frente, pedi à minha mulher para me substituir ao volante. A minha AC tem "cruise control", de forma que foi só trocar de lugar, sem problemas. Tudo muito suave. Fui ao WC e voltei num minuto.
Quando refizemos a troca, a minha mulher, que nunca tinha conduzido a AC (!!), atrapalhou-se e não conseguiu fazer a transição do volante como da primeira vez. Não sei como foi, mas de repente encontrámo-nos um em cima do outro, cada um puxando para seu lado, em pânico, a tentar compensar fora de tempo a força que o outro tinha aplicado no volante, com a AC a guinar de um lado para o outro, nas duas faixas da auto-estrada, e a sensação de que íamos tombar!
Foi um afogo que nem vos conto. A asneira foi de tal monta que o meu irmão, preocupadíssimo, ligou mais tarde o "walkie-talkie" para perguntar o que tinha acontecido, porque conseguiu ver pelo retrovisor que alguma coisa se tinha passado, com a AC de rodas no ar...
Fiquei para morrer e, nem sei como, lá conseguimos colocar a coisa nos eixos. Acho que foi mesmo a sorte dos pobres de espírito. Só depois me lembrei que a minha mulher tinha uma ruptura de ligamentos no ombro direito, que lhe incapacitava bastante os movimentos e a força do braço e que deve ter ajudado à festa (teve de ser operada em Setembro, uns dias depois de regressarmos a Portugal...).
Este monumental disparate, inteiramente da minha responsabilidade, é coisa que não recomendo a ninguém. Não há nada mais perigoso do que o excesso de confiança, como este caso bem demonstra.
Considero aquilo que fiz como um erro infantil, a todos os títulos condenável, que colocou em risco a segurança de toda a minha família e de terceiros, se os houvesse. Senti-me e sinto-me envergonhado pela falta de sensatez daquela azelhice, pois dependeu apenas de mim. Foi um acto que assentou 100% numa decisão minha!
Conto-vos isto, não para que me critiquem mais do que eu já fiz a mim próprio, não para que me ataquem e humilhem, mas para que pelo menos alguém possa aprender com este monumental erro. Se eu contribuir para que pelo menos um dos companheiros não tenha que passar pelo que passei, já terá valido a pena esta confissão.
Ñunca tentem mudar de condutor em andamento. Não é simplesmente uma daquelas coisas ilegais que todos, num momento ou outro da vida fazemos, só por acharmos que não há problema.
O Einstein dizia que considerava duas coisas como sendo infinitas: o universo e a estupidez humana, mas que acerca do universo ainda não tinha bem a certeza. Nesse dia percebi bem o que ele queria dizer.
Espero sinceramente que ninguém consiga, por mais que tente, descrever aqui uma "azelhice" maior do que esta...
Boas e sensatas rotações para todos, com muita estima.