Pelo interior Alentejano

Jorge Ribas, Setembro de 2007

 

A minha paixão pelo Alentejo vem de longe, mais propriamente desde que me lembro de ser nascido. Após ser destino de algumas viagens em família durante a minha vida (a última já há uns 10 anos) decidi dedicar estas duas semanas ao «meu» querido Alentejo. O objectivo era conhecer o mais possível do interior Alentejano, onde reina a calma, a natureza, a culinária no seu melhor e as gentes afáveis. Com duas provas de BTT pelo meio e condicionado pelo facto de não poder pernoitar fora de campings, ainda assim visitei e vi quase tudo o que queria, tendo consciência que ainda ficou muito por ver. Em jeito de conclusão, regressei de «baterias recarregadas» e com uma enorme saudade no coração de voltar ao Alentejo. Como li uma vez «O Alentejo é religioso à sua maneira, à maneira da Terra...». Nada mais verdadeiro! Mas deixemo-nos de conversa e vamos ao que interessa.

 

DIA 1 - 7 de Setembro de 2007

 

A viagem com destino ao interior Alentejano começou. Partindo de Lisboa às 17h em direcção a Évora (seguindo pela Ponte Vasco da Gama), a primeira paragem foi logo nas bombas a seguir à ponte: tinha-me esquecido de abastecer o depósito... 1h30 depois, lá cheguei ao parque de campismo da Orbitur em Évora. Parque simpático e de pequenas dimensões, estava repleto de ACs e caravanas estrangeiras. Ainda somos um país muito adorado. Como cheguei perto da hora de jantar, foi só desengatar  a caravana e dar uma voltinha pelo parque. Depois do jantar nem me apeteceu sair, preferi  ficar na caravana com um livro e o meu cachimbo, como que a habituar-me ao agradável ritmo alentejano.

Conselhos úteis: Acabei de descrever um bom exemplo do que não se deve fazer, ou seja, começar uma viagem sem verificar criteriosamente tudo. Estava tão obcecado com verificações técnicas e de bagagem que me esqueci de olhar para o ponteiro do depósito de gasolina. Aconselho fazer uma check-list para as verificações antes de partir.

O estacionamento no parque de campismo de Évora, que estava bem repleto de ACs e caravanas estrangeiras

 

 

 

DIA 2 - 8 de Setembro de 2007

 

Este dia começou muito mal, não sei como mas perdi os óculos! Pura e simplesmente não os consegui encontrar, nem virando a caravana e o carro de pernas para o ar! Depois de muito tempo perdido (e sem encontrar os óculos, lá fui para Évora. (Re)visitei esta bela cidade, onde o centro histórico (belo como sempre) nos encanta, bem como a Praça do Giraldo, o Templo de Diana, a Sé de Évora ou a Capela dos Ossos a merecerem uma boa e demorada visita. Também muito agradável é pura e simplesmente passear pelas ruas e respirar o ar histórico e mágico que Évora sempre teve. Depois de um magnífico almoço no restaurante Guião, foi tempo de pegar na bicicleta para fazer uma rota megalítica. Assim sendo, e partindo do parque de campismo, dirigi-me primeiro  à Anta Grande do Zambujeiro e depois ao Menir do Monte dos Almendres.

Para além da questão cultural, andar nas calmas pelas planícies alentejanas e respirar ar puro é magnífico. Depois de recolhido o dorsal para a prova BTT que tinha no dia seguinte, foi tempo de recolher á caravana e jantar.

 

Conselhos úteis: Para visitar Évora, convem reservar um dia inteiro, tal é a variedade de locais a visitar. Para visitar os monumentos megalíticos levei a bicicleta mas deverá ter em conta que entro em provas, estando habituado a longas distâncias, pisos difíceis e estradas íngremes. Para ir para estes monumentos não haverá problema em levar AC, desde que se vá com calma mas com caravana, será melhor desengatar a mesma e deixar talvez em Évora, no Largo do Rossio, visto que, regra geral,pernoitam ACs nesse local, com o consentimento das autoridades locais. O restaurante referido é tradicional e apresenta uma decoração e culinária acima da média, no entanto o preço também está acima da média, embora seja possível um pouco de contenção bastando para tal não nos «perder-mos» nas entradas.

 

Custos:

  • Restaurante Guião - 30,00€

  • Capela dos Ossos – 1,50€

  • Sé de Évora – 3,00€ (Igreja, Claustro e Museu)

 

A Sé de Évora vale o bilhete de entrada

 

A Praça do Giraldo a convidar a um café numa esplanada

 

«Os ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos»... esperem sentados!

Anta do Zambujeiro

 

 

DIA 3 - 9 de Setembro de 2007

 

7h30 e toca a levantar, dia de prova BTT. Até nem correu mal de todo, tendo em conta um furo logo ao km10 e com uma costela rachada, ainda consegui chegar  1 hora antes do último da minha categoria. A prova tinha 65km e passou (para além das paisagens que só andando fora de estrada se podem apreciar) pelo Recinto Megalítico dos Almendres e pelo Povoado do Alto de S. Bento.  

No fim, um grande almoço à alentejana, com bastante convívio e comida em farta e de excelente qualidade. Provas de queijos, enchidos, vinhos, doces regionais e 2 pratos principais (lombo assado e bacalhau à casa) revigoraram as forças. Como acabei de almoçar bem tarde (pelas 17h), já nem jantei. Aproveitei para pegar no cachimbo e ir relaxar na Praça do Giraldo, com uma noite onde a temperatura amena convidava a ficar. Foi em jeito de despedida de Évora, pois não é só Coimbra que deixa saudades na hora da despedida... . Para acabar o dia em grande, lá encontrei os óculos! Alguém os tinha achado a caminho do WC do parque de campismo e foi entregar à recepção. Afinal já podia ver o Alentejo em promenor.

 

Fim de 65km que nem foram tão planos quanto isso...o CCP sempre dinâmico

 

DIA 4 - 10 de Setembro de 2007

 

O dia começou por arrumar tudo e engatar a caravana, o destino era o Alandroal mas almoçando pelo caminho no Redondo. Ainda antes de deixar Évora fui a uma loja de bicicletas para colocar 2 câmeras de ar anti-furo!  Feito isto, lá fui então pela bela estrada nacional que liga Évora ao Redondo. Esta localidade é muito bonita, onde o típico espírito alentejano está bem presente. É obrigatório uma visita ao Museu do Vinho e à Enoteca, que infelizmente estavam fechados por ser segunda-feira... Assim sendo, o almoço foi no restaurante A Torre, junto ao castelo. Depois do almoço mais uma voltinha pela terra para as habituais fotos, sendo a chuva o único entrave, embora ao fim de uma meia hora tenha dado descanso e possibilitado uma caminhada descontraída e até uma sesta no belo jardim público do Redondo! Já pela hora do lanche (umas 16h), foi altura de rumar para o Camping Rosário, perto do Alandroal. Depois de instalado (com uma vista magnífica sobre o Alqueva!), foi altura de jantar e começar a apreciar verdadeiramente a natureza.

Conselhos úteis: Para visitar a Enoteca e o Museu do Vinho não poderá ser à segunda-feira, visto estarem encerrados. Em termos de estacionamento, quer para ACs quer para caravanas será bastante fácil no enorme largo junto á Igreja do Calvário, em terra batida mas plano. O restaurante referenciado não é regional por excelência mas com comida muito bem confeccionada e no fim satisfaz bastante, com um preço convidativo e um atendimento muito atencioso.

Custos:

  • Restaurante A Torre – 13,00€

  • Parque de Campismo Orbitur Évora – 42,57€ (1 pessoa+1caravana+1automóvel+electricidade X  3 noites)

 

Castelo do Redondo

 

A olaria sempre bem presente no Alentejo

Os jardins do Alentejo estão quase sempre muito bem tratados

 

Acampado no Camping Rosário, com uma vista e pôr-do-sol magníficos

 

DIA 5 - 11 de Setembro de 2007

Começou por volta das 08h30. Depois do pequeno-almoço, rumei para Vila Viçosa. E realmente é viçosa. Com jardins muito bem tratados (especial destaque para o jardim público na zona baixa da vila), toda a vila tem um astral óptimo. Dei uma volta pela vila e uma espreitadela ao Palácio Ducal, que se encontra encerrado. No entanto, a imponência desde Palácio é esmagadora, a fazer lembrar, quiçá, os palácios austríacos.  O almoço, como não podia deixar de ser, foi num restaurante regional, desta feita na Taverna dos Conjurados. Depois, segui logo para o Castelo de Vila Viçosa, que é propriedade da Fundação Casa de Bragança. Inseridos no castelo estão 2 museus, um de Arqueologia e outro de Caça. Ambos merecem a visita, que é sempre guiada e demora sensivelmente 30 minutos em cada museu. Após a visita a estes museus, ainda fui a tempo de ver Borba. A localidade em si não me surpreendeu muito, confesso que esperava algo mais, por assim dizer. No entanto, a visita à Adega Cooperativa de Borba, ou melhor, à loja desta, é obrigatória. Para visitar a Adega em si é necessário marcação e com alguma antecedência. No entanto, na loja é de aproveitar os preços deveras convidativos e sempre se fica a conhecer um pouco mais desta famosa produtora de vinhos nacionais. Em Borba e para quem seja apreciador, encontrei várias lojas de mobiliário rústico tipicamente Alentejano, juntamente com aquelas pequenas lembranças típicas muito tentadoras de comprar. No fim do dia, regresso à caravana onde jantei e passei o serão a apreciar um espectáculo digno de registo. Uma sessão de trovoadas tão distantes que nem se ouvia o som mas que bem se podia ver os clarões e até os relâmpagos. Sem sombra de duvida um serão quase perfeito.

Conselhos úteis: Em Vila Viçosa, a visita aos Museus de Caça e Arqueologia, integrados no Castelo de Vila Viçosa, é obrigatória. Na parte baixa da vila é possível estacionar com bastante facilidade num parque de terra batida junto ao grande jardim público, jardim esse que tem boas mesas e sombras para fazer lanches. O restaurante referenciado tem um preço acima do normal mas considero como um dos melhores a nível de todo o Alentejo, além de um atendimento muito familiar e uma decoração magnífica. Em Borba, será um pouco difícil estacionar, especialmente caravanas mas com um pouco de paciência talvez se consiga. Para visitas à Adega em si, é necessário marcação prévia com alguma antecedência. No entanto e para quem seja apreciador, umas compras na loja da Adega  vão poupar uns bons euros.

Custos:

  • Restaurante A Taverna dos Conjurados – 24,00€

  • Museu de Caça e Arqueologia – 3,00€

 

Palácio Ducal em Vila Viçosa
 

Vista de uma das entradas do Castelo de Vila Viçosa
 

Entrada principal para o Castelo de Vila Viçosa
 

Centro da Vila de Borba
 

Adega de Borba, a não perder...

   

 

DIA 6 - 12 de Setembro de 2007

 

Este dia foi destinado ao Alandroal. Para ver as redondezas como deve de ser, vai de pegar na bicicleta. Saí do camping e em vez de tomar à estrada que liga directamente o Rosário ao Alandroal, preferi dar a volta pelo outro lado passando, por exemplo, por Ferreira e Terena. Cheguei ao Alandroal à hora de almoço (pelas 12h30) e decidi ir logo almoçar, desta feita num restaurante chamado A Maria. Depois de almoçado e de uma pequena e inevitável sesta num banco de jardim, fui visitar o castelo, que praticamente é a única coisa a ver no Alandroal. Facto curioso foi o acesso às escadas das muralhas estar vedado, provavelmente para evitar acidentes mas a limitar muito a exploração do castelo e a fazer perder as paisagens em redor. Quando decidi voltar ao camping, ainda não ía a meio do caminho e começou a chover, apanhei uma valente molha mas são ossos do oficio. De notar que regressei pela estrada que liga directamente o  Alandroal a Rosário, aproveitando para visitar a Igreja do Rosário (estava fechada) e para ver também umas sepulturas mediavais em pedra. Depois de ter chegado e quando já não precisava do bom tempo, o fim de tarde esteve espetacular, com um pôr-do-sol lindíssimo a acompanhar-me no jantar.


Interior do Castelo do Alandroal

 

Conselhos úteis: O Alandroal, apesar de ser uma terra muito conhecida, não tem grande interesse. O Castelo é praticamente tudo que há para visitar. No entanto e no Verão, tem umas boas Piscinas Municipais. O caminho que descrevi foi feito de bicicleta mas chamo de novo a atenção que serão ainda uns bons 26Km no mínimo. Como tomei a opção de não ir directamente do camping para o Alandroal e sim dar uma volta maior, neste dia acumulei às pernas 37km. O restaurante referenciado é muito típico e serve muito boa comida. No entanto, o preço poderia ser um pouco mais em conta.

Custos:

  • Restaurante A Maria – 30,00€

 

Os relógios no Alentejo funcionam quase todos

O meu primeiro contacto com o Alqueva, inesquecível

 

 

DIA 7 - 13 de Setembro de 2007

 

Começou pelas 09h30 em direcção a Monsaraz. Lá chegado, fiquei esmagado pela beleza desta terra. Toda ela muito bem conservada, 2 horas foi pouco, foi muito pouco para apreciar devidamente Monsaraz. As vistas que se alcançam, tanto para o Alqueva como para as planícies alentejanas, do lado de Reguengos de Monsaraz, são merecedoras de longas horas de contemplação e toda a vila merece uma atenção demorada a detalhes espetaculares quer da muralha e castelo quer das próprias casas reconstruídas. Devo também mencionar a Igreja Matriz, uma das mais bonitas que já vi, o interior é belíssimo. Em suma, para tentar descrever Monsaraz, será juntar a beleza arquitectónica de Óbidos com a imponência de Penha Garcia e o ar maciço de Monsanto.

Pelas 12h30 saí em direcção ao que seria sem sombra de duvida o melhor almoço das férias, almoço esse na Galeria do Esporão, dentro da Herdade do Esporão. Acerca deste restaurante farei uma pequena excepção e irei descrever em promenor. Com um ambiente requintado mas sem ser excessivo, a Galeria do Esporão é dos mais bem conceituados restaurantes do país, pela alto refinamento na culinária e pela selecção magnífica de vinhos. Após me terem indicado uma mesa mesmo junto á janela (com uma vista magnífica sobre as vinhas e a barragem), de imediato me foi servido um vinho branco, leve, para degustar enquanto escolhia o almoço. De entrada comi Bolsita de Verduras Salteadas, que estava magnífico. Também o couvert incluía uma prova dos 3 azeites feitos pela herdade, bem como 3 patés, pão fresquíssimo e ovos mexidos com verduras e camarão. De prato principal comi “ombo de porco assado com puré de castanhas e esparregado e de sobremesa Tarte de requeijão com nozes. Tudo isto foi individualmente acompanhado por vinhos selecionados pela enóloga da Galeria, que aconselha, para cada coisa, o que beber. Neste caso entre o vinho que me foi servido logo de inicio e a sobremesa, foram um total de 3 vinhos e 1 licoroso para a sobremesa. No fim uma bela cahimbada no alpendre com uma Aliança Velha (balão aquecido obviamente) a acompanhar. Tudo isto pela módica quantia de 68,00€. Devo chamar a atenção que para almoçar na Galeria (jantares só para grupos) tem de se fazer reserva com muita antecedência (no mínimo recomendável 4/5 dias antes). Depois destas horas maravilhosas (acabei de almoçar seriam umas 16h), peguei no carro e regressei ao camping, com uma paragem por Terena. Localidade pequena mas simpática, o castelo oferece boas vistas dos arredores.

Conselhos úteis: Monsaraz é, tal como descrevi, lindíssimo. Convém levar umas boas horas para apreciar esta magnífica terra. Para estacionar em Monsaraz existe um parque de estacionamento muito amplo com sinalização para ACs e Caravanas. O almoço na Herdade do Esporão foi uma excepção. O preço exorbitante de uma refeição não é para todos, embora deva referir que por incrível que pareça, vale o dinheiro que se paga! Tem de se fazer reserva e com boa antecedência e prepare-se para levar umas boas 3 horas para almoçar nas calmas, aproveite o ambiente único. O estacionamento dentro da Herdade é facílimo. Terena não tem muito para ver, sem ser o pobre Castelo, que vale pelas vistas magníficas. Estacionar ACs e Caravanas é fácil junto à Igreja Matriz.

Custos:

  • Restaurante Galeria do Esporão – 68,00€

 

...e também para as planícies alentejanas

Monsaraz a providenciar vistas magnificas para o Alqueva...

 
 

Monsaraz sempre muito típico

Monsaraz visto do Castelo

 

Terena

Igreja de Terena

 

 

DIA 8 - 14 de Setembro de 2007

 

Levantar bagagens e engatar a caravana, o dia começou cedo, foi dia de rumar para o Parque Municipal de Serpa. Primeira paragem foi em Mourão. Com uma proximidade muito grande ao Alqueva e com um castelo bem lá no alto, as paisagens das muralhas são soberbas, embora andar em cima das muralhas, que não tinham protecções de qualquer género, não me agradasse muito, mas o desejo pelas paisagens falou mais alto. Depois de uma pequena volta pela vila que tem algumas igrejas e capelas muito bonitas (todas elas de portas fechadas), fui almoçar ao restaurante Adega Velha, seguido obviamente pela típica sesta, feita no jardim central que embora de pequenas dimensões, é de uma simpatia imensa. De seguida continuei caminho, com paragem em Moura. Devido a não conhecer a localidade e também a um mau calculo da manobra de estacionamento, vi-me obrigado a desengatar a caravana e colocá-la estacionada ao lado do carro. Graças ao peso pluma da Weekend (equivalente talvez a um carrinho de compras de um hipermercado), esta manobra não durou mais que uns 15 segundos! Depois deste percalço, fui então ver Moura. Com umas belas ruínas mouriscas e de arquitectura peculiar, Moura vale bem a visita. Por esquecimento, não fui ver o Museu do Largar de Varas, fica para uma próxima vez. O jardim público é espectacular, com uma boa esplanada e espaço dedicado para as crianças, é óptimo para descansar um pouco, especialmente para quem anda ao volante. Depois das devidas voltas dadas e fotografias tiradas, foi tempo de ir para a ultima etapa, acabando em Serpa, no parque Municipal de Campismo.

Conselhos úteis: Estacionar em Mourão não me pareceu muito fácil, pelo menos para quem não conhece a localidade. Estacionei mesmo no largo da Câmara mas tive sorte devido ao tamanho “mini” da minha caravana. Se tiver caravana não tente sequer entrar em Mourão, pergunte nas bombas de combustível, na estrada principal, onde poderá estacionar. A não perder é o Castelo, que tem umas vistas magníficas, no entanto no caso de levar crianças, cuidado com os passeios em cima das muralhas. O restaurante referenciado é muito típico e serve doses fartas de boa comida, vale bem o dinheiro. Em Moura, não será fácil estacionar, quando lá passei estavam a decorrer obras junto ao centro histórico, não facilita, tive mesmo de desengatar a caravana. Será de tentar o estacionamento junto ao Parque de Exposições e depois andar um pouco para chegar ao centro.

Castelo de Mourão
 

Estacionar em tão pouco espaço não é para todos (Mourão)

 

 

Custos:

  • Restaurante Adega Velha – 18,00€

  • Camping Rosário – 48,00€ (1pessoa+1caravana+1automóvel+electricidade x 4 noites)

O enorme paredão da Barragem do Alqueva

Interior do Castelo de Mourão

 
 

O estacionamento improvisado em Moura

Moura

 

Acampado em Serpa

Moura a merecer a visita

 
 

DIA 9 - 15 de Setembro de 2007

 

6h30 e tocou o despertador: dia de prova em Beja. Mais 75km para as pernas feitos em 4h30. Até correu bem. Depois do almoço (que estava incluído no programa da prova), voltei para Serpa e aproveitei para as compras do jantar. Como ainda era cedo, aproveitei ainda para dar uma volta por Serpa e desde logo se nota a influência islâmica, tal como em Moura, com umas casas de estilo bem peculiar e que muito aprecio.  

Nesta volta a máquina fotográfica ficou na caravana, aproveitei para desfrutar do passeio sem preocupações.

Conselhos úteis: Tirar fotografias para mais tarde recordar é muito agradável mas para aqueles que tiram dezenas de fotos por dia e que gastam muito tempo com enquadramentos bonitos. Experimentem deixar a máquina para trás e respirar convenientemente os ares do Alentejo. É extremamente revigorante.

O CCP continua dinâmico por terras do Alentejo (Beja)

 

 

DIA 10 - 16 de Setembro de 2007

 

Este dia foi totalmente dedicado a Serpa. Comecei por passar junto ás muralhas para umas fotos e fazer tempo para a abertura do Museu do Relógio. Assim que abriu portas, aí fui eu. 1800 relógios (!!) todos de corda, com alguns exemplares bem raros, como o Turbilhão Negro, feito pelas oficinas do Museu, ou o afamado Relógio Atómico da Jaeger le Coultre, que graças a uma variação de 2 gases diferentes dentro de um pequeno depósito, tem corda para 600 anos! Depois foi tempo de almoçar, desta vez numa cervejaria chamada A Lebrinha. Depois do almoço e da inevitável sesta (no jardim central, com uma bela esplanada), visitei o Museu Etnográfico, que além de ter entrada grátis, é um sitio simplesmente imperdível para quem vá a Serpa. Este museu tem em exposição tudo o que é relacionado com os principais ofícios, alguns já desaparecidos. Desde Latoaria, Rouparia, Alfaiate, Sapateiro, Cesteiro e mais umas que agora não me recordo, este espaço é extremamente lúdico tanto para nós como principalmente para as crianças. De seguida, uma volta pelo castelo, onde o museu de arqueologia se encontrava em remodelação e ainda deu tempo para um saltinho ao «Espaço Internet» de Serpa, para ver os mails e também uma visita ao Posto de Turismo, para umas informações. Felizmente, ainda cheguei a tempo de ver um lindíssimo pôr-do-sol, com a vista a alcançar Beja, que está a 30km de distância! O jantar foi, como sempre, na caravana. 

Centro histórico de Serpa

 

Conselhos úteis: Serpa facilmente ocupa boa parte do dia. O Museu do Relógio é imperdível, cuidado com as mãos curiosas das crianças, existem muitos relógios em que se pode tocar. O Museu Etnográfico é também obrigatório, de novo o conselho para as crianças, neste museu pode-se mexer em praticamente tudo, embora seja proíbido... . O restaurante referenciado é uma cervejaria mas no entanto a comida vai para além do que é costume encontrar nestes espaços. No entanto, julgo que o preço ficou um pouco inflacionado demais... . É também recomendável comer num restaurante chamado Molhóbico, que fica junto ao centro histórico de Serpa. Estacionar ACs ou caravanas em Serpa não será difícil mas atenção, não tentar ir para o centro histórico para estacionar.

Custos:

  • Museu do Relógio – 2,00€

  • Museu Etnográfico – Grátis

  • Cervejaria Lebrinha – 25,00€

  • Espaço Internet - Grátis

 

Árvores que têm muito para contar... (Serpa)

Parte das muralhas de Serpa

 

Serpa é muito rica em história, esta foto foi tirada mesmo ao lado do parque de campismo

Jardins bonitos e casas com arquitetura muito típica (Serpa)

 

 

DIA 11 - 17 de Setembro de 2007

 

Dia de bicicleta e natureza. Depois de enfiar para o saco 2 sandes, 2 sumos e uma barra energética, peguei na bicicleta e fui para o Pulo do Lobo. Fui pela estrada que liga directamente Serpa ao Pulo do Lobo, onde se percorrem 21km sem passar por nenhuma terra nem localidade e onde se cruzam 2 carros, na melhor das hipóteses, a cada 30 minutos! Montes, planícies, plantações, montes abandonados de um Alentejo que já não volta, este caminho é realmente fantástico. No entanto, os últimos 4km são sempre a subir (e bem...), pelo que ainda demorei um bocado, estava em passeio, não em competição. Chegado ao Pulo do Lobo, fiquei boquiaberto com o que vi. Uma paisagem esmagadoramente linda e bruta, com o rugir das águas a ouvirem-se mesmo do alto do miradouro do lado Este. Desci (já sem a bicicleta) até junto das águas (sempre à cautela!) e aí parei para apreciar o lindo espectáculo que o Guadiana nos oferece. É impressionante como um rio tão calmo se torna num violento e brutal tumulto numa questão de 20 metros, para depois voltar à sua calma, em direcção a Mértola. Almocei o que levava no saco e ali fiquei umas 2 horas, só a meditar sobre as águas do Guadiana e a admirar toda aquela formação geológica única. Depois fiz o caminho de volta para Serpa e como ainda ía com tempo, ainda fui ver o apeadeiro do Guadiana (já abandonado, a linha está desactivada à vários anos) perto da ponte do Guadiana na estrada que liga Serpa a Beja. Fiquei algo desiludido e triste por ver o apeadeiro vandalizado, algo aliás recorrente no nosso país quando se esquece o património histórico ao abandono. Confesso que não tive coragem para passar para o outro lado do rio pela ponte ferroviária, pois a mesma não apresentava condições de segurança. Para passar a pé apenas tinha umas ripas de madeira, manifestamente insuficientes para garantir uma passagem descontraída, preferi jogar pelo seguro e voltei para o parque de campismo para um merecido banho. Como ainda era um pouco cedo para jantar, ainda fui beber uma imperial à praça da CM de Serpa, com um fim de tarde quente e muito agradável.

 

Conselhos úteis: Para ir ao Pulo do Lobo de bicicleta é mesmo preciso um bom par de pernas e alguma paciência e perícia técnica para os últimos kms antes de lá chegar. Eu fui pela estrada antiga que liga directamente Serpa ao Pulo do Lobo mas não recomendo este caminho a não ser que tenha, no mínimo, um carro alto. Existem outras alternativas: ir até Mértola e depois tomar a direcção de Pulo do Lobo, onde mesmo assim os últimos kms são um teste à suspensão (não recomendado a caravanas, deixar estas na última terra e seguir só com carro!) ou então ainda poderá ir pelo caminho que está indicado na estrada entre Serpa e Mina de S. Domingos, mas como não o usei não poderei dar comentários. No Pulo do Lobo, embora não seja perigoso, devido ao tipo de terreno, cuidado com as crianças mais irrequietas.

Pulo do Lobo visto do lado Este

 

Pulo do Lobo

Pulo do Lobo

 
 

Um Alentejo que já não volta mais...

Miradouro do Lado Este (Pulo do Lobo)

 

Estradas perdidas no tempo...

Ponte ferroviária da antiga linha do Guadiana

 

 

DIA 12 - 18 de Setembro de 2007

 

Dia para Mértola. Arranquei pelas 09h30, fazendo apenas uma pequena paragem na Mina de S. Domingos, de tal modo que fiquei espantado pela beleza da praia fluvial. Chegado a Mértola, dirigi-me logo ao Posto de Turismo para as informações do costume. Por coincidência, a Oficina de Tecelagem é mesmo ao lado e comecei logo por aí a visita. Esta oficina, onde ainda é possível ver as funcionárias a trabalhar com os complexos engenhos tradicionais com os quais se fazem as famosas mantas alentejanas, vale bem a visita e ainda se pode comprar lembranças e até as ditas mantas e xailes alentejanos. Depois e para fazer tempo para o almoço, ainda dei uma pequena volta pela vila e pelo meio-dia, fui almoçar ao restaurante Cegonha Branca. Depois da sesta (Alentejo pede sesta!), fui visitar o interior do castelo (que está em obras) e aproveitei para subir à Torre de Menagem, com uma vista soberba sobre toda a vila e sobre o Guadiana. A seguir fui visitar o Museu Islâmico, que se mostrou bastante interessante, repleto de achados Islâmicos de todo o género, feitos em Mértola. Eram umas 15H quando dei por terminada a visita a Mértola e fiquei tão apaixonado pelo Pulo do Lobo que resolvi lá voltar, desta vez pelo lado Oeste, ou seja, o caminho oficial para ir ver o Pulo do Lobo. Não me arrependi, podendo admirar esta fantástica formação geológica de outras perspectivas, que obviamente não tinham sido possíveis no dia anterior. Só voltei para o parque de campismo mesmo perto da hora de jantar.

Conselhos úteis: Mértola é um emaranhado de ruas, convem ir ao posto de turismo pedir informações e um mapa, ajuda muito! Para estacionar ACs e caravanas será fácil, logo á entrada de Mértola junto à ponte sobre o Guadiana (entrada de Mértola pelo lado norte) existem estacionamentos, no entanto cuidado com as manobras com caravana, será um pouco apertado. O restaurante referenciado não é regional e não supreende em nada de especial. No entanto, a apreciação geral é positiva e o preço convida. Para quem tenha tempo aconselho também o restaurante Alentejo, em Moreanes, na estrada como quem vai para Mina de S. Domingos.

Custos:

  • Torre de Menagem – 2,00€

  • Museu Islâmico – 2,00€

  • Restaurante Cegonha Branca – 18,00€

 

Oficina de Tecelagem em Mértola

Igreja junto ao Castelo de Mértola

 

Ermida de Nª Srª das Neves (Mértola).

Pulo do Lobo visto do Lado Oeste

 

Ponte sobre o afluente do Guadiana (Mértola)

Vista do Castelo de Mértola

 

 

DIA 13 - 19 de Setembro de 2007

 

O penúltimo dia de viagem. Fui passá-lo às Minas de S. Domingos mas por razões físicas, sem a bicicleta, como estava inicialmente previsto. Comecei por visitar o antigo complexo mineiro, começando pela Cortada e depois descendo para sul, passando pela Estação Ferroviária, pela Central de Britagem e acabando no antigo bairro habitacional dos trabalhadores da Mina. Como o complexo é enorme, com vários kms de comprimento, tudo isto foi feito de carro e o objectivo inicial era ir até Pomarão mas como a estrada começou a ficar muito acidentada, decidi voltar para trás. O almoço (levei um lanche) foi na praia fluvial que tanto admirei no dia anterior e realmente pude constatar a maravilha que deve ser no Verão. Muito bem tratada e com bom estacionamento, esta praia é um excelente sitio para uns dias bem passados. Tem bancos e mesas de piq-nic, relvados, sítios para grelhados, um bar de apoio muito bom e até gaivotas para alugar. A água estava tão translúcida que mais parecia uma praia tropical. Voltei cedo para Serpa (eram umas 16h) e ainda deu tempo para acabar de ler o livro na esplanada do jardim e arrumar as coisas para no dia seguinte regressar.

 

Cortada das antigas Minas de S. Domingos

 

Conselhos úteis: Para visitar as antigas minas não é necessário pagar, o acesso é livre. Quanto à visita em si, irei fazer uma chamada de atenção muito importante: o complexo está em ruínas, existindo passadiços para admirar a paisagem. NUNCA ande fora dos caminhos marcados ou da estrada que percorre o complexo e NUNCA, mas NUNCA, entre nos edifícios abandonados, pois estes podem ruir a qualquer momento! Percorrer parte do complexo de AC será possível mas com caravana não, terá de se deixar esta logo à entrada, existe um local com bastante espaço para estacionar junto á Cortada.

 

As antigas minas teem muito para ver

O que foi um grande e importante complexo hoje está assim

 

Praia fluvial de Mina de S. Domingos

Não, não é uma ilha tropical, é em pleno Alentejo (praia fluvial)

 

 

DIA 14 - 20 de Setembro de 2007

 

Dia de regresso. Levantar de manhã bem cedo, engatar a caravana, bicicleta em cima do carro e voltar para Lisboa. Vim pelo caminho mais rápido, ou seja, em direcção a Beja e depois em direcção à AE, entrando em Lisboa pela Ponte Vasco da Gama. Foi bom... mas acabou-se.

Custos:

  • Parque Municipal de Campismo de Serpa – 37,75€ (1pessoa+1caravana+1automóvel+electricidade x 6 noites)

 

Apreciação final

Como sempre, o Alentejo deixou-me com muitas saudades e uma vontade imensa de me perder pelas Planícies Douradas. Conhecer uma região não será só ir aos sítios que vemos publicitados pelo turismo mas sim contactar com as gentes locais e ir à descoberta de estradas ou caminhos que nem sabemos onde irão dar, pois por vezes damos por nós em locais magníficos que passam ao lado da grande maioria dos viajantes. O Alentejo é calmo, portanto, viaje com calma e aprecie pausadamente as paisagens e a gastronomia fabulosa que esta região tem para nos oferecer.

Contas feitas

Km percorridos em automóvel: 1170km

Km percorridos em bicicleta: +/- 90km

Gasolina: 81 litros / 106,00€

Estadias: 128,32€

Restauração: 226,00€

Alimentação na caravana: 85,00€

Museus e outros locais culturais: 13,50€

Total gasto: aproximadamente 558,82€

 

Algumas distâncias percorridas (valores aproximados):

Lisboa – Évora: 110km

Évora – Redondo: 38km

Redondo – Alandroal: 16km

Alandroal – Borba (passando por Vila Viçosa): 14km

Alandroal – Mourão (passando por Monsaraz): 55km

Mourão – Moura: 35km

Moura – Serpa: 30km

Serpa – Beja: 30km

Serpa – Mértola (passando por Mina de S. Domingos): 54km

Serpa – Lisboa: 210km

 

Boa viagem J

 

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