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Do Cabo da Roca ao
Cabo Norte
Nuno Machado, Abril de 2005
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http://jamais.no.sapo.pt/ |
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25 de Abril de 2005 -
Óbidos > Cabo da Roca (273 Km)
Como hoje é feriado,
decidimos aproveitar para dar início à que até agora será a nossa
maior viagem de autocaravana. A meio da tarde saímos de Óbidos por
forma a chegar ao Cabo da Roca ao Pôr-do-Sol. Queríamos tirar
algumas fotografias para comparar com o Sol da Meia-Noite!!!...
Esta primeira etapa
serviu também para perceber dinamicamente como estava a AC, pois já
há uns meses que não havia viagens e tinha vindo recentemente da
revisão.
Conseguimos um
Pôr-do-Sol magnífico, ainda que estivesse muito vento. Tirámos as
fotos da praxe e depois de brindarmos a desejar boa viagem (com
Ginjinha de Óbidos e Licor de Pessegueiro da nossa produção),
colocámos o autocolante referente ao Cabo da Roca, no respectivo
local da traseira da nossa AC. A “expedição” estava lançada, a
visita ao Cabo de partida estava cumprida pelo que rumámos ao
Guincho e Boca do Inferno para não voltar pelo mesmo caminho.
No regresso a casa só
pensávamos que já queríamos era seguir caminho... mas ainda faltavam
3 dias...
(Total acumulado = 273 Km) |
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29 de Abril de 2005 -
Óbidos > Tordesillas (507 Km)
Hoje é o grande dia,
depois da visita ao Cabo da Roca, foi finalmente dada a partida para
a grande viagem. O dia foi longo, fomos trabalhar bem cedo e como
saí ao meio dia, couberam-me os últimos preparativos (encher o
depósito de água, preparar a cassete do WC e carregar as últimas
coisas). Não cabia mais nada, desde o porão aos armários de tecto,
todos os espaços estavam preenchidos.
Levámos provisões para
3/4 da viagem (leite, iogurtes, água, congelados, enlatados, fruta e
legumes, etc.), pois sabíamos que a Escandinávia tem preços
proibitivos para a nossa bolsa.
Já saímos de Óbidos por
volta das 18 horas e só parámos perto de Salamanca para atestar os
estômagos. Chegámos à área de “Los Pollos” (Tordesillas) à
meia-noite. Estávamos muito cansados mas conseguimos cumprir a
primeira etapa conforme o previsto, foi só encostar junto ao Hotel e
dormir.
(Total acumulado = 780 Km)
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30 de Abril de 2005 -
Tordesillas > Tours (958 Km)
O dia amanheceu com
muito calor. Depois de tomar o pequeno almoço e atestar, arrancámos
já com o ar-condicionado ligado pois a “meseta” não dá tréguas...
Foi o dia todo a rolar e
em Bordéus optámos por ir pela nacional em direcção a Angoulême, a
escolha pareceu-nos acertada pois trata-se de uma espécie de I.P.
com um trajecto mais rectilíneo.
Dormimos numa área de
serviço da A.E., pouco depois de Tours, onde a razão de camiões
portugueses / outras nacionalidades, era seguramente de dez para
um...
(Total acumulado = 1.738 Km)
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1 de Maio de 2005 -
Tours > Valenciennes (422 Km)
Não nos conseguimos
levantar muito cedo, as etapas longas tornam as noites mais
compridas!!! Seguimos de auto-estrada até Paris e graças ao GPS
estacionámos a 50 metros da casa dos nossos amigos Sarah e Nicolas.
Só conseguimos este lugar porque era feriado do 1º de Maio, o
trânsito e o estacionamento não tinham nada a ver com o costume.
Almoçámos em casa da
Sarah e à tarde fomos dar um passeio com eles e as suas 2 filhas
Chloé (3 anos) e Julie (3 meses).
No final da tarde, após
um banho refrescante, apanhámos o “peripherique”, que se encontrava
bastante congestionado, e depois a auto-estrada em direcção à
Bélgica. Jantámos e dormimos perto da fronteira, na área de serviços
de “La Sentinelle” que tem estação para cargas e descargas para AC
(a pagar), mas com um método de recolha de águas sujas por meio de
um tubo com aspiração, que não é compatível com o nosso sistema.
(Total acumulado = 2.160 Km)
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2 de Maio de 2005 -
Valenciennes > Munster (434 Km)
Quando acordámos, chovia
e trovejava violentamente. Seguimos pela AE e chegámos a Bruxelas
por volta das 10.30 h. Após uma volta junto ao centro, estacionamos
no parque da “Boulevard PointCarré”. O tempo melhorou e tirámos a
scooter para visitar o centro. Tal como imaginávamos a “Grande
Place” é assombrosa. Percorremos algumas vielas do centro e
escolhemos um restaurante para poder apreciar o meu prato belga
preferido -“moules” com “moules”!
Se a “Grande Place” era
tão imponente quanto imaginávamos, o “Manneken Pis” é tão miserável
como esperávamos... ainda por cima com a peregrina ideia de mudar de
traje diariamente... hoje era ciclista!!!
Feito o percurso pelo
centro, decidimos voltar à AC e seguir em direcção ao “Atomium”.
Fizemos uma paragem nos jardins e depois da fotografia da praxe,
seguimos, por estradas secundárias até Lier, onde sabíamos que havia
uma área de serviços para AC, pois precisávamos mudar as águas. A
área está bem sinalizada e depois das mudanças e um pouco de
conversa com o responsável pelo parque de estacionamento, seguimos a
AE em direcção a Heindoven, atravessando pelo Sul a Holanda, e
rumando à Alemanha (Duisburgo-Munster). Por volta das 10 da noite
parámos numa área da AE para dormir. Trovejava e chovia a cântaros.
(Total acumulado = 2.594 Km)
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3 de Maio de 2005 -
Munster > Copenhaga (577 Km)
Deixámos a área de
Munster às 09.30 h e seguimos pela auto-estrada até Puttgarden, onde
chegámos às 14.00 h, e o próximo ferry saía ás 14.15 h! Timming
perfeito! A travessia durou 45 minutos e o mar estava muito calmo. O
tempo estava nublado pelo que a vista não era nada de especial. Ás
15.00 horas estávamos em solo Dinamarquês.
Na auto-estrada
reparámos que éramos ultrapassados por muitos carros e sobretudo
carrinhas (station-wagon), completamente de rojo, carregados de
tabuleiros de latas de cerveja!!!. Viaturas dinamarquesas e suecas,
com famílias inteiras, vindas da Alemanha, com a mala a abarrotar de
cerveja... deve ter a ver com o imposto sobre os produtos
alcoólicos!?
Chegámos a Copenhaga, o
GPS não acertava uma e fomos à procura do estacionamento de que
tínhamos indicação, o Parque do Tivoli. Encontrámos o Tivoli mas os
parques junto deste eram todos cobertos!!! Quando desistimos e fomos
desviados do caminho por onde íamos, por estar a decorrer uma
espécie de maratona para todas as idades, “tropeçámos” no Tivoli
Parkering...
Estacionámos a AC e só
então nos lembrámos que ainda não tínhamos coroas dinamarquesas para
o parquímetro! Fomos a pé e perguntámos a um dos “stewarts” da
maratona onde havia um multibanco, ao que este respondeu que só na
“Central Station”. Dirigimo-nos para lá e levantámos coroas.
Precisávamos de moedas, comprei uma garrafa de água e pedi para me
darem moedas, tudo bem... Como a AC ainda ficava longe e íamos
voltar para aquela zona, decidi ir sozinho enquanto a minha mulher
ficava a obter informações no posto de turismo.
Quando cheguei à AC já
um guarda que anda a fazer a ronda dos parques tinha passado a
multa! Fui ter com ele e expliquei que tínhamos acabado de chegar à
Dinamarca... e que tinha ido levantar coroas... e que o Multibanco
era longe..., mas o guarda só disse que a multa estava passada, e
que não havia nada a fazer. Explicou ainda que, durante 24 horas não
tinha de pagar o estacionamento pois a multa servia de pagamento...
510 DKK (± 70 €)!?. Mostrei mais uma vez a minha indignação e
perguntei como fazia para pagar? Ao que me respondeu que podia pagar
nos correios e que em relação à minha indignação não podia fazer
nada! “It’s up to you!”...-disse ele. Ai é “up to me?”... então
tratem de saber a minha morada e mandem–me a conta para Portugal...
Começa a ser usual, uma viagem... uma multa!!!
Voltei ao centro onde
demos uma volta a pé e entrámos no Tivoli para jantar. Vale a pena,
tem muitos restaurantes, muitas diversões, tipo feira popular em
versão “Europa do Norte” e tem uns jardins fabulosamente cuidados.
(Total acumulado = 3.171 Km)
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4 de Maio de 2005 -
Copenhaga > Yonkoping (362 Km)
Acordámos com a chuva a
bater na AC, os nossos planos de tirar a scooter e visitar melhor a
cidade ficaram comprometidos. Decidimos ficar a preguiçar um pouco e
tomar o pequeno-almoço com calma. Mais uma vez, os deuses estavam
connosco e a chuva parou. Fomos visitar Copenhaga, de scooter,
passámos pelos vários edifícios interessantes que nos tinham sido
indicados no posto de turismo. Assistimos ao render da guarda e
fomos à zona do porto, ver a pequena sereia...
Copenhaga é uma cidade
bonita, mas não nos fascinou.
A meio da tarde saímos
em direcção a Malmo atravessando a famosa “Oresund bridge”. Seguindo
para norte, optámos por estradas secundárias para ficarmos com uma
melhor ideia da Suécia e das suas localidades pequenas. Vale a pena
o passeio! A paisagem, repleta de lagos, é muito bonita! As casas
pequenas, com os logradouros muito floridos e cuidados! Gostámos
muito.
Pelo caminho tentámos
vários parques de campismo mas ainda se encontram fechados. Só em
Yonkoping é que o Parque de Campismo está aberto o ano todo! Ficámos
numa parcela muito boa, 1ª linha junto ao lago Vattern, com uma
vista fantástica!
O único senão foi a
existência de melgas... (nota: vínhamos preparados para os ataques
aéreos mas, em toda a viagem, só aqui encontrámos mosquitos. Nesta
altura do ano ainda não há problema!).
(Total acumulado = 3.533 Km)
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5 de Maio de 2005 -
Yonkoping > Estocolmo (322 Km)
O local era tão calmo
que nos deixámos dormir até mais tarde. Ainda fomos dar um passeio
matinal junto ao lago, pelo que só partimos à hora do almoço.
Antes de entrar na AE,
fomos à procura do Museu “Husqvarna” que encontramos mas estava
fechado. Curiosamente (infelizmente!) fecham nos feriados e vésperas
de feriado... Terá de ficar para outra vez a visita a este museu que
demonstra a capacidade e versatilidade Sueca nas mais diversas
áreas, tendo contribuído para o mundo moderno com um sem fim de
utensílios (desde armamento, à máquina de costura ou às motos de
todo o terreno).
Fomos pela AE até
Estocolmo, demos uma volta à cidade e optámos por estacionar num
parque 24 horas (59º19'60''N; 18º02'00''E), junto a um dos canais,
onde já estavam 3 AC’s. Um simpático casal de uma AC Norueguesa
explicou-nos que é permitida a pernoita e que a máquina aceita
cartão. Óptimo, assim pudemos pagar logo o parque e ficar
descansados!
Fizemos o reconhecimento
de Estocolmo a pé. Esta cidade é fantástica! Todos os edifícios são
obras de arte, não é exagero, são mesmo todos!!! As cores, a luz do
fim da tarde, a água! Superou todas as nossas expectativas, que já
eram bastante altas! Das capitais que conhecemos, esta é a mais
bela. Adorámos!!!.
Fartámo-nos de andar,
percorremos as ruelas da cidade velha (Gamla stan) e escolhemos um
restaurante de “swedish food” onde jantámos algumas especialidades
típicas (bife de rena, frutos do bosque, etc...).
Foi uma tarde/noite
muito bem passada, muito agradável.
(Total acumulado = 3.855 Km)
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6 de Maio de 2005 -
Estocolmo > Turku (--- Km)
Passámos o dia a passear
em Estocolmo, no autocarro Open Top Tours, no barco do Sight-seeing
- volta às pontes de Estocolmo e a pé, sobretudo na Gamla Stan.
Felizmente lembrámo-nos
de ir obter informações sobre a travessia para a Finlândia, por
forma a planearmos melhor o nosso dia. Optámos por partir durante a
noite, pois a alternativa era partir às 07.45 h da manhã do dia
seguinte e passar 11 horas na travessia, ou seja perder o dia...
Assim já com alguma dificuldade em arranjar bilhete, partimos às 8
da noite, sem termos a certeza de arranjar uma cabina/quarto.
Mal embarcámos fomos
logo às informações no navio e arranjaram-nos uma cabina com WC e
duche. Valeu mesmo a pena, pois não sei como teria sido, termos de
passar toda noite a deambular pelo navio, sem ter onde nos
encostarmos, a aturarmos as bebedeiras de praticamente todas as
pessoas que lá estavam... e que parecia só ali estarem para
aproveitar o “dutti-free” e comprar “paletes” de cerveja.
(Total acumulado = 3.855 Km)
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7 de Maio de 2005 -
Turku > Helsínquia (188 Km)
Logo à saída do
monstruoso ferry, antes de sair do porto esperava-nos uma espécie de
“garrafão” da 25 de Abril, com um parque de portagens cheio de
polícias, que apenas se preocupam em fazer todos os condutores
“soprar no balão”... eles sabem perfeitamente os exageros de consumo
de álcool naquelas travessias. Quem “chumba” no teste, nem sequer
sai do porto!!!
Estreei-me no teste do
balão, e logo na Finlândia!... não é para qualquer um!
Parámos nos arredores de
Turku para tomar o pequeno-almoço, esta pareceu-nos uma cidade muito
industrial, a quarta maior do país e que foi capital até 1812.
Tomámos a AE até Helsínquia, onde chegámos por volta das 11 h da
manhã.
Demos uma volta de
reconhecimento à cidade e optámos por estacionar no parque do
embarcadouro para Tallinn, que fica a 100 metros do Old Market e
muito perto do centro da cidade. Este parque permite que se pague
estacionamento para um máximo de 48 horas, o que fizemos (mas
atenção, são 28€ e a máquina só aceita moedas... acautelem-se...).
Fomos logo comprar os
bilhetes do barco para Tallinn pois amanhã é domingo e havia já uma
companhia esgotada...
Almoçámos no Old Market
e depois fomos dar a volta pela cidade no Sight-seeing, tendo
escolhido os pontos que achámos mais interessantes para uma visita
mais atenta. Assim visitámos a Igreja de Pedra (Temppeliaukio), que
vale a pena pela combinação das paredes em granito e o tecto em fios
de cobre, e que ao que parece tem uma acústica que a transforma numa
sala de concertos privilegiada. Regressámos a pé pelas ruas
centrais, lanchámos nos jardins, num café estilo anos 20, e fomos
ver a catedral luterana da cidade, imponente...
Helsínquia tem uma
“colecção” de edifícios do mais famoso e conceituado arquitecto
finlandês Alvar Alto, o que para os apreciadores/conhecedores de
arquitectura a torna uma pequena metrópole cheia de pontos de
interesse. No entanto, para leigos como nós, o “Alvarinho” bem que
podia ter deixado muito daquele mármore em “Carrara”! E quando se
vem de visitar Estocolmo, qualquer outra cidade tem dificuldade em
impressionar a retina!..
(Total acumulado = 4.043 Km)
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8 de Maio de 2005 -
Helsínquia > Tallin (--- Km)
Às 08.00 horas partimos
de Helsínquia, no ferry da Silja Lines, para uma hora e quarenta e
cinco minutos de travessia (± 80 Km) até Tallinn. Como chegámos
cedo, ainda estava tudo muito calmo, calcorreámos toda a zona antiga
da cidade e ficámos muito agradados com a beleza dos edifícios,
ainda que muitos estejam a precisar de restauro (venham lá os fundos
comunitários!).
Pela hora do almoço
procuramos um restaurante e penso que não poderíamos ter escolhido
melhor, chama-se Old Hansa e é uma taverna desde 1400, tudo é
medieval, desde a comida até à mobília e decoração. Os empregados
estão vestidos como há 600 anos e falam connosco teatralizando. A
refeição é cheia de coisas e sabores estranhos, desde a sopa de
cogumelos (deliciosa!) até à cerveja de canela que faria sucesso em
qualquer parte do mundo. A nota mais engraçada foi ter pedido um
prato principal que referia “javali”, “veado” e “urso”, a pensar que
iria ter um sortido de carnes “diferentes”, e ter acabado por
receber um prato com 2 salsichas grelhadas, acompanhadas de 3 tipos
diferentes de... “bagas”!. As “bagas” que os javalis comem, as
“bagas” que os veados comem e as “bagas” que os ursos
comem...(literalmente!)...
De resto a cidade é
cheia de veia artística, montes de galerias e lojas com artigos que
se vê que é artesanato puro, obras dos donos dos espaços, muito
interessante.
Estava patente no porto
uma exposição de barcos e navios abertos ao público para visita.
Entrámos em alguns e confirmámos que ainda têm os espaços mais
acanhados que a nossa AC! Mas é sempre interessante ver estas
coisas.
O regresso
proporcionou-nos um pôr-do-sol no Báltico fantástico e uma corrida
com outro ferry que chegou a Helsínquia bem atrás de nós...
(Total acumulado = 4.043 Km)
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9 de Maio de 2005 -
Helsínquia > Páltamo (610 Km)
Acordámos com um Sol
lindo e fomos tomar pequeno-almoço ao Old Market.
A meio da manhã seguimos
para Norte! A paisagem finlandesa começou por nos decepcionar. Ao
contrário do que esperávamos, toda a vegetação ainda estava
mergulhada no Inverno. As árvores estavam nuas, a paisagem era muito
“castanha”, os jardins das casas muito “cinzentos” e nem o colorido
das suas paredes conseguia animar o nosso desapontamento. Com o
passar dos quilómetros percebemos que quanto mais para norte...,
mais Inverno! Aí começou um desfilar de situações e paisagens que
foram uma surpresa, primeiro pequenas bolsas de neve na berma da
estrada, depois acessos a casas completamente bloqueados, lagos
gelados, carros soterrados... enfim! Aqui, e sem que tivéssemos
prévia noção disso, ainda é Inverno em Maio!!!
Hoje precisávamos
imperiosamente de mudar águas e como tinha acontecido na Suécia, a
maioria dos parques de campismo estava fechado, começámos cedo a
inspeccioná-los e os nossos receios confirmaram-se, então, num
deles, fomos até à zona de despejo de águas e fizemos a descarga.
Para recarregar pedimos numa área de serviço onde abastecemos de
gasóleo e a senhora muito simpaticamente foi buscar uma mangueira e
ligou-a numa torneira das traseiras da bomba. Para descarregar o WC
tivemos de ir a uma casa de banho pública.
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Com o aparecimento
constante dos sinais de travessia de renas/alces, fomos sempre muito
atentos para a possibilidade de avistarmos algum espécimen... como
forma de promover a atenção, instituímos que o primeiro que
avistasse uma rena ou alce teria direito a escolher a representante
de peluche que nos acompanhará em todas as nossas próximas
aventuras. Pois renas não vimos nenhumas mas em compensação as
lebres são frequentes, com a sua pelagem ainda invernal, outras a
mudar do branco para o castanho, mas todas com uns aleatórios
bailados saltitantes.
Ao fim da tarde chegámos
a Páltamo, onde ficámos num jardim público, junto ao lago Oulujarvi,
onde durante a noite, e pela primeira vez nesta viagem a temperatura
desceu abaixo de zero (-2,6ºC).
(Total acumulado = 4.653 Km)
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10 de Maio de 2005 -
Páltamo > Rovaniemi (433 Km)
Depois de um dia de
chuva, hoje o dia amanheceu solarengo. Seguimos para Oulu, onde
demos uma volta pela zona pedonal, bastante discreta mas muito
agradável, junto à marina e a uma praia mínima, (bastariam dez
famílias tipicamente portuguesas, com os respectivos acessórios
balneares e a praia ficava cheia...), que por estas alturas estava
cheia de gelo acumulado na margem.
Tomámos a direcção de
Kemi, junto à fronteira com a Suécia, onde parámos para almoçar.
Apenas nos chamou à atenção uma igreja/catedral toda cor-de-rosa...
bonita/diferente!
Mais um dia em que nos
deparámos com paisagens soberbas, lagos gelados, cenários de perder
o fôlego!
Ao chegar a Rovaniemi
fomos procurar a cidade do Pai Natal, começámos por apanhar um susto
pois ao virar para o “Santa Park” vimos que este só abria a 23 de
Junho... Mais à frente apareceu-nos a “Santa Claus Village”, esta
sim, aberta todos os dias mas apenas até às 18 horas. A zona para as
AC estava atolada em neve, logo... inacessível. Aproveitámos o sol
do fim da tarde para tirar as fotografias da linha do Círculo Polar
e das instalações do Pai Natal (Santa’s Office), com toda a calma
pois éramos praticamente os únicos visitantes...
Junto à aldeia do Pai
Natal existe um parque de renas onde, pelo menos, vimos os primeiros
exemplares vivos, mas temos esperança de ainda encontrar algumas
selvagens.
De volta Rovaniemi,
passámos por um restaurante com bom aspecto, uma casinha lapónica
toda amorosa, decidimos jantar e ficámos algo
surpreendidos/decepcionados com a ementa, só tinha pizzas... e nós
pensávamos comer algo lapão!!!, no entanto gostámos, o
dono/empregado/cozinheiro era muito simpático e foi um jantar muito
agradável. Depois na volta que demos pela cidade pudemos constatar
que não encontrámos nenhum com melhor aspecto que este restaurante
Oktetti. (www.oktetti.fi).
Dirigimo-nos para o
local que tínhamos escolhido para pernoitar e fomos presenteados com
um pôr-do-sol tardio, espelhando nas águas da confluência dos rios
Kemijoki e Ounasjoki , com uma infindável paleta de cores...
esplêndido!!!
(Total acumulado = 5.086 Km)
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11 de Maio de 2005 -
Rovaniemi > Sodankyla (148 Km)
Às 10 horas (hora de
abertura) estávamos no Arktikum. Este museu merece bem a visita pois
retrata a cultura lapónica sobre diversos aspectos, os modos de vida
dos povos do Árctico, numa visita que é um trajecto muito
interessante, mostrando como a adversidade do clima da região, é
contornada pelo engenho de um povo que soube adaptar-se e tirar o
maior proveito dos recursos disponíveis.
À hora do almoço
chegámos de novo à “Santa Claus Village”, como já tínhamos provado a
carne de rena (aparentemente a base da gastronomia lapã) e não
tínhamos adorado, resolvemos rendermo-nos ao “fast-food” num dos
restaurantes da aldeia. (...sempre é mais acessível à bolsa lusa!).
Estivemos com o Pai
Natal e tirámos a foto da ordem. Como o movimento de turistas era
diminuto tivemos oportunidade de falar um bocado com ele e ver a sua
surpresa quando dissemos de onde vínhamos e que íamos para o Cabo
Norte. Ficámos um bocado preocupados quando nos alertou para o facto
de ainda ser muito “cedo” para viajar pelas paragens mais a norte...
Comprámos o diploma de
ter atravessado o Círculo Polar e fomos aos correios enviar alguns
postais que serão recebidos por altura do Natal.
Escolhemos a nossa
“alce” mascote, chamamos-lhe Napapiiri (=Círculo Polar em Sami) e já
vai sentada no tablier da AC, com o seu cachecol vermelho e verde...
muito nacionalista!
Pelas 17 horas, depois
de termos atestado a AC com gasóleo e águas na estação de serviço,
mesmo em frente à aldeia, partimos de novo para, 45 km a Norte,
avistarmos a primeira Rena selvagem, na berma da estrada. Foi a
euforia, voltamos atrás, tirámos fotografias e ficámos encantados
com a beleza e a tranquilidade do animal perante a nossa presença!
Passados uns
quilómetros, já só dizíamos, ...olha ali mais! Começaram a ser muito
frequentes e era necessário prestar atenção, pois atravessam à
frente da AC, de um lado para o outro da estrada sem qualquer
preocupação...
Para além das renas
vimos uma espécie de falcão todo branco, as omnipresentes lebres e
uns gansos (...do árctico ??).
Acima do “Polar Circle”
todos os lagos estão completamente gelados e o solo, por baixo da
floresta de coníferas está coberto de neve. Não estávamos mesmo à
espera de encontrar este cenário... é uma surpresa fabulosa. O único
senão é o facto de todos os parques de campismo se encontrarem
fechados, mesmo nas cidades...
Em plena Tundra, numa
estrada completamente deserta, apareceu-nos uma faixa de vinil a
dizer: “Internet Point – 500 mts” !?. Do meio do nada surge uma
espécie de estação de serviço, que afinal era um restaurante chinês,
(de chineses ?!?!?!) com uma “inevitável” loja de chinês... onde
vendem tudo o que se possa imaginar, desde os parafusos sextavados,
ao champô para a caspa passando pelas tomadas eléctricas, rolamentos
de várias medidas e correias de alternador... enfim, indescritível.
Jantámos comida chinesa no meio da Lapónia (!?) e acedemos ao nosso
mail para colocar as notícias em dia.
Chegámos a Sodankyla e
mais uma vez o parque de campismo encontrava-se encerrado, mas até
se percebe, havia mais de meio metro de neve em todo o seu
recinto!.. Ficámos a dormir num parque de estacionamento do lado
esquerdo da entrada do parque, onde todos os carros ficam ligados,
durante a noite a umas tomadas para, de manhã, terem bateria para o
motor de arranque. É que durante todo o dia a temperatura nunca
subiu além dos 4ºC !
(Total acumulado = 5.234 Km)
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12 de Maio de 2005 -
Sodankyla > Skaidi (615 Km)
Retomámos o nosso
caminho, sempre para cima na rosa-dos-ventos. Passámos pelo camping
de Iñari, do qual tínhamos a indicação de que era muito bonito, mas
para além de ser ainda de manhã, estava coberto de neve e fechado...
para variar...pelo que seguimos para o museu Sami, onde almoçamos
sopa de ... rena!
Não visitámos o museu
pois pareceu-nos muito semelhante ao Arktikum e ao Museu Polar (que
queríamos visitar em Tromso).
Depois de almoço ao
bordejármos o Lago Iñari, vimos um casal a dirigir-se para a sua
superfície gelada com uma broca e respectivas canas de pesca na
mão... Parámos e fui ter com eles, uns bons 50 metros para lá da
margem, primeiro a medo e depois com mais confiança, pisando nas
pegadas deixadas por eles. Tentei falar com eles mas não falavam
absolutamente nenhuma língua (ocidentalmente) inteligível. Mas isto
não quer dizer que não falassem comigo pois raramente se calavam,
falando para mim como se eu os entendesse, e não valeu a pena
mostrar que não apanhava uma única palavra do que diziam... Por
gestos (!?) explicaram-me como fazer o buraco com a broca e pude
constatar que tinha perto de meio metro de superfície gelada debaixo
dos pés!
Ainda que não tenhamos
pescado nenhum peixe, durante o tempo que lá estive, foi uma
experiência enriquecedora, que deu para absorver o espírito da
coisa, e para me sentir esmagado pela sensação de estar, de pé, em
cima de um lago que é 4 vezes maior que a albufeira da barragem de
Alqueva!...
Seguindo caminho,
atravessámos a fronteira e parámos em Karasjok. Fomos ao Sami Park
mas estava fechado, a única instalação aberta era a loja de
“souvenirs”! Então fomos visitar o Parlamento Sami, que é um
edifício muito interessante, todo em madeira, moderno e em que a
sala de reuniões da assembleia recria uma tenda Sami gigantesca.
Eram cinco da tarde e
como os dias já praticamente não têm fim (!), resolvemos seguir
viagem para Hammerfest, assim “perdíamos” um dia à chegada ao Cabo
Norte pois tínhamos a indicação que o Sol da Meia Noite só se
iniciava a 17 de Maio, e resolvemos rumar a esta que é a cidade mais
a Norte de todo o Mundo... mas é mesmo só isso..., definitivamente
não vale o desvio. Pela primeira vez sentimos insegurança, e logo na
Noruega! A cidade gira à volta do seu porto e não podemos dizer que
tenha muito bom aspecto.
Encontrámos a área para
AC’s que levávamos como referência (atrás do posto Shell, à entrada
da cidade), mesmo em frente do mar e com vista para a cidade, muito
bonito. Só que dava acesso a uns contentores a formar uma espécie de
bairro social para tripulantes de cargueiros. E nós a única AC! Não
estávamos “convencidos” e fomos até ao posto onde, o funcionário nos
disse que poderíamos pernoitar e utilizar os serviços de descarga
por um valor equivalente a 12 euros!, preços de 2004, pois a época
ainda não tinha começado. Como estávamos de pé atrás com aquela
cidade, resolvemos não pagar e fomos dar mais uma volta pela cidade
a tentar encontrar outras AC’s. Quando arrancámos com a AC passámos
pela zona de descargas de águas e percebemos que a dita zona tinha
mais de 2 metros de neve acumulada, que não poderíamos mudar as
águas e que, ainda por cima o sujeito da bomba nos ia "lixar" 12
euros, ficámos convencidos que aquela terra não queria mesmo nada
connosco. Fizemos a vontade a Hammerfest e fomos embora.
Fomos dormir a uma zona
de caravanas, onde estavam estacionadas, de forma permanente, mais
de 20, a maior parte delas com avançados de madeira! Este parque
fica junto a uma bomba da Statoil com descargas para AC’s, no
cruzamento da estrada de Hammerfest/Alta/Cabo Norte.
(Total acumulado = 5.849 Km)
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13 de Maio de 2005 -
Skaidi > Cabo Norte (158 Km)
Depois da descarga de
águas (única coisa que podíamos fazer pois a torneira da área estava
congelada), partimos para a última etapa, em direcção ao Cabo Norte.
Confesso que estava preocupado e desiludido com as condições
atmosféricas. O céu era uma nuvem só! Com este tempo não haveria
Sol, muito menos à meia-noite...
Rumando ao Cabo fomos
apreciando a paisagem e continuámos a ver muitas renas, mesmo junto
ao mar (Renas na praia!). Em Honningsvag atestamos de água numa
máquina de 10 NOK (± 1 €) e fomos a um supermercado (1º na Noruega),
onde compramos pão e salmão fumado e onde constatamos que os preços
são realmente muito mais elevados que em Portugal (ex.: 1L de
Coca-Cola=2,5 €; 1 Pão tipo caseiro= 3 €...).
O dia vai mostrando
algumas abertas e a nossa esperança renasce. Chegamos ao Cabo Norte
às 15 horas e 15 minutos, mesmo a tempo de entrar no Centro e ver um
filme sobre as diferentes estações naquela latitude. Éramos os
únicos na sala de projecção pois as instalações fecham às 16 horas
(horário do Centro). A visualização do filme, bem como o acesso a
todas as instalações está incluída nos cerca de 48 euros do bilhete
(1AC +2pax), válido por 48 horas.
A partir da hora do
fecho ficámos completamente sozinhos e aproveitámos para tirar umas
fotos pois o céu estava limpo, a temperatura amena e nestas paragens
o clima muda muito rapidamente, “não fosse o diabo tecê-las...”
Estacionámos a AC ao
lado do Centro, no acesso à Esfera do Mundo, com a posição mais
privilegiada que se pode esperar (só mesmo numa altura em que não
está ali ninguém), e dediquei-me a algumas pequenas tarefas como
colocar as marcas do nosso trajecto e o autocolante do Cabo Norte no
mapa da traseira, e desentupir o lava-loiças que já há alguns dias
não escoava bem (tinha quase “um quilo” de arroz no estrangulamento
da entrada do depósito de águas sujas...).
Entretanto chegaram 2
motociclistas, como em tempos fui “motociclista praticante”, meti
conversa com eles. Eram de Valência, Miguel e Rafael, que tinham
saído de Espanha há uma semana e estavam radiantes (como nós!) de
ali estar, e ainda por cima com o Sol a brilhar (coisa que ainda não
tinham visto na sua viagem!). Tirámos umas fotos e brindámos junto
da esfera com as motos deles e a minha scooter...
Os “nuestros hermanos”
foram à procura de dormida em Skarsväg, com o sentido de sonho
realizado, (Nota: A viagem ao Cabo Norte, para os motociclistas como
para os autocaravanistas, é tida como que a “Viagem das Viagens”,
sendo este local a “Meca” destes viajantes), não sem que o Rafael
tenha ficado, no mínimo intrigado, com o “fenómeno” do Sol da
Meia-Noite, para o qual não estava desperto.
Preparámos uma bela
jardineira e da nossa mesa com vista para o Oceano Árctico, jantámos
por volta das 22 horas, com um céu quase limpo, apenas com algumas
nuvens a ameaçar esconder o Sol mais para o lado das zero horas.
Não tínhamos a certeza
se o Sol iria “tocar o mar” no horizonte e fomos tirando fotos à
medida que as cores iam ficando mais intensas. Devo ter feito mais
de 100 fotografias por forma a apanhar todos os ângulos e tons
daquele cenário magnífico.
À meia-noite brindámos
ao Sol e ao Sol(!), com a Ginjinha de Óbidos e o Licor de
Pessegueiro, (tal como tínhamos feito há 2 semanas e meia, no Cabo
da Roca), desta vez com um pôr-do-sol que não o é, mas que faz
perder a respiração!!!
Quando saí da AC, para
mais umas fotos (a comprovar que o disco solar não chegou a tocar a
linha do horizonte), reparei que estava ali a BMW do Rafael que
tinha voltado para confirmar que o Sol não se punha. Durante o
bocado que por ali andou e enquanto conversávamos, amiúde, olhava
para o Sol e dizia “Pero, que no se puene?!”, ao que eu respondia:
"pois não e já está em trajectória ascendente...".
Por volta das duas e
meia da manhã, de novo sozinhos e depois de um pedaço a contemplar o
silêncio e a magia daqueles momentos, resolvi mudar a AC de sítio
para dormir, pois estava a levantar-se um vento forte e pensei em
estacioná-la junto à parede do Centro. Como a minha mulher já estava
deitada, tentei fazer a manobra o mais suave possível, só que o
imponderável aconteceu. “Atasquei” a AC na neve... Nem para a
frente, nem para trás... a minha companheira só dizia: “Anda dormir
que tu estas afectado com isto do Sol... Amanhã alguém nos há-de
ajudar!”.
Nada como ir à procura
de uma pá (que havia na entrada do edifício) e desenterrar a AC às 3
da manhã debaixo de um Sol magnífico, mesmo no Cabo Norte...
irrepetível. Com um bocado de trabalho lá saiu. E depois de bem
estacionada pude dormir descansado.
(Total acumulado = 6.007 Km)
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14 de Maio de 2005 -
Cabo Norte > Alta (264 Km)
Durante toda a “noite”,
sentimos o vento forte. A AC abanava de tal forma, que parecia
estarmos a dormir num barco... Acordámos às 10 horas, o céu era uma
nuvem só, cinzento... Agradecemos mais uma vez a sorte que tivemos
na véspera e desatamo-nos a rir. Saí para mudar a botija de gás que
tinha acabado e não é que começa a nevar!? Quando bati na janela, a
minha mulher não podia acreditar! Conseguimos viver no Cabo Norte
quase todas as condições “atmosféricas”, ficou a faltar a aurora
boreal, mas nesta altura do ano, nem com toda a sorte... Estamos
realmente felizes!
Ao meio-dia o Centro
abre e decidimos esperar para ir lá tomar o pequeno-almoço/almoço.
Os souvenirs são caríssimos pelo que só compramos uns postais e o
diploma que comprova a nossa estada nestas paragens tão longínquas.
Arrancámos, agora já a
descer (depois de 6.000 Km a “subir” é uma sensação estranha!) e
após a travessia do túnel de “Honningvag” com os seus seis mil
metros debaixo do mar, começou a nevar... foram cerca de duzentos
quilómetros sempre a nevar e por vezes com muita intensidade. A
caminho de “Alta” atravessamos uma zona montanhosa onde os
noruegueses têm as suas casas de montanha, às quais não chegam de
carro pois o limpa-neve desimpede apenas a estrada principal. Isso
não os desmotiva, deixam o carro estacionado na berma e lá vão
passar o fim-de-semana no maior isolamento.
A chegada a “Alta”
revelou uma cidade pouco interessante, muito dispersa, sem um centro
definido. Depois da volta do costume, parqueamos numa zona comercial
onde já estava uma AC italiana e ali pernoitámos (69°57,66'N;
23°13,93'E). Ainda que não tenha “feito noite”, estava bastante
escuro e continuou a nevar. Fomos acordados a meio do sono por um
norueguês com uns copos a mais que fez questão de assinalar a sua
passagem com uns gritos e uma palmada na AC (não reagimos e ele foi
à sua vida... às vezes é melhor assim!).
(Total acumulado = 6.271 Km)
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15 de Maio de 2005 -
Alta > Tromso (340 Km)
Queríamos sair cedo, mas
adormecemos... afinal estamos de férias!
Enquanto preparávamos o
pequeno-almoço, os italianos aproximaram-se e saímos para conversar
com eles. Eram muito simpáticos e ficámos com a sensação de que se
fossemos para o Cabo Norte em vez de estarmos a voltar de lá,
iríamos todos juntos! Acabámos por só sair às 11 horas.
Depois de atravessarmos
a ponte, à entrada de Sorstraumen, junto a uma área que tínhamos
referenciada, parámos para despejar a cassete e encher águas. Estava
lá uma AC francesa com um casal que tinha ido à pesca... Decidi
tentar a minha sorte, eles já estavam de saída e não tinham apanhado
nada. Foram muito simpáticos, mostraram algumas fotos das suas
pescarias norueguesas e indicaram-nos os melhores “spots”. Não foi
nesta primeira tentativa que consegui apanhar peixe mas fomos
visitados por um cão que nos fez lembrar o nosso. Ainda que sendo um
“bóbí” nórdico, entendia perfeitamente as três palavras do
vocabulário do nosso “Montanha”, o “senta”, “deita” e o “dá a
pata”... “inteligentíssimo”!
Em Olderdalen, às cinco
da tarde, tomámos o primeiro ferry de ligação curta, para às 18
horas já estarmos a apanhar o 2.º em Svensby. Chegámos a Tromso,
percorremos tudo e não encontrámos uma única AC, nem uma área
própria, apenas uma máquina para descargas (na estrada à chegada à
cidade). Voltamos para estacionar junto à máquina e passado um pouco
já estava outra AC estacionada ao nosso lado! (69°38,09'N;
18°57,63'E).
Mais uma vez o vento
soprava muito forte, parecia que estávamos num barco. Foi noite de
cinema no nosso AC/DVD-system!.
(Total acumulado = 6.611 Km)
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16 de Maio de 2005 -
Tromso > Risoyhamn (429 Km)
Acordámos e fomos
comprar pão para o pequeno-almoço (1 pão = ± 3€!). Às 11 horas (hora
de abertura) estávamos no Museu Polar (www.polarmuset.no). Este
museu retrata as expedições aos pólos, sobretudo do mais famoso
explorador norueguês - Roal Amundsem. Bastante interessante!
Depois fomos ao Centro
Lúdico Polaria onde vimos tanques com as espécies de peixes que se
encontram nos mares da Noruega e assistimos a um show de focas. No
auditório passou um filme a três dimensões sobre as ilhas Svalbard e
outro sobre a Antártida! (é um bocado longe... talvez os Argentinos
passem um filme sobre o Ártico!!).
Como hoje é feriado na
Noruega (2ªFeira de Pentecostes), não se paga o estacionamento,
deixámos a AC no parque e fomos a pé para o centro, uma zona
pietonal. Tal como todas as cidades da Escandinávia, tem lojas com
artigos muito interessantes, mas com preços inacessíveis. Almoçámos
na famosa cadeia Peppes Pizza. Por 2 pizzas médias e 2 colas pagámos
mais de 10 “contos”!!! Não se justifica.
Arrancámos rumo às
Vesteralen, que são, tal como as Lofoten, um conjunto de ilhas e
penínsulas, encostadas à Noruega continental.
Assim que saímos da E6 e
E10, e entrámos na estrada das Vesteralen, a paisagem melhora
significativamente. Parámos numa área de repouso e informação, com
uma vista simplesmente soberba. Quis continuar a andar, até porque
os dias nunca mais têm fim... O passeio “nocturno” (com o sol a meia
haste!) vale muito a pena, pois a cada curva a paisagem muda,
alterna entre os prados verdejantes e as encostas cobertas de neve,
com os tons das águas mudando com a incidência dos raios do Sol!
Quando já nem eu
percebia porque é que continuávamos a andar, (há horas que a minha
co-piloto tinha desistido de apresentar hipóteses de pernoita),
surgiu a explicação para todo esta jornada tardia... 3 alces na
berma da estrada! Loucura total! Quando avistamos a primeira rena
foi um momento engraçado, mas estes alces batem tudo... São muito,
muito maiores, engraçados, desengonçados e tímidos. Conseguimos umas
fotos, tipo as que existem do monstro de Loch Ness!!! (desfocado ao
ponto de poder ser qualquer coisa!), mas valeu mesmo a pena, mais
uma vez percebemos depois, porque não parámos mais cedo... foi a
“Mão Reguladora” a funcionar ao seu melhor!
Pernoitámos no
estacionamento de um restaurante (68°58,14'N; 15°37,61'E), à entrada
de Risoyhamn com a simpática autorização do dono e tivemos uma noite
calma.
(Total acumulado = 7.040 Km)
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17 de Maio de 2005 -
Risoyhamn > Vestpollen [Ilhas Lofoten] (225 Km)
O dia amanheceu lindo,
com um sol fantástico e consequente cor das águas igualmente
fabulosa! Com toda a calma saboreamos o pequeno-almoço, ainda com a
visão dos alces da noite passada a dominar a conversa matinal. Agora
sim! Pudemos colar os autocolantes dos alces na nossa AC! Com total
propriedade, colámos os 3 alces (correspondentes aos três avistados)
e sentimos a satisfação de mais um objectivo cumprido. (Nota: desde
que entrámos na Suécia, há 4.000 km atrás, avistámos muitas dezenas
de sinais alertando para a possibilidade de atravessamento de alces
e já estávamos a achar que não iríamos conseguir ver nenhum...).
Fomos tomar um expresso
ao restaurante, como não havia, resolvemos tomar um chocolate quente
a 2,5 € cada! O local estava todo enfeitado para um almoço de
comemoração do “Dia da Constituição”.
Circundámos toda a
“ilha”. Fomos até Andesnes, que é o extremo norte, por uma estrada e
voltámos por outra. Passámos por praias de areia branca e mar de tom
verde completamente transparente (não fora o frio, até apetecia
tomar banho!), fizemos questão de 'molhar os pés' nestas praias que
apontam para o Árctico.
Muitas casas estavam
enfeitadas, todas tinham a bandeira norueguesa nos respectivos
mastros (Nota: se em Portugal existe a triste ideia de colocar
painéis de azulejos na fachada da casa, os noruegueses colocam
mastros! Cada povo com a sua forma de mostrar aos alienígenas a sua
tara). Quando entramos na cidade de Andesnes, tivemos de encostar
para deixar passar um cortejo, com banda e todos vestidos a rigor,
com bandeiras na mão ou rosetas ao peito. Muito giro!
Depois de uma visita
rápida, 'descemos' pelo lado continental das Vesteralen e, em Melbu,
tomámos o ferry para Fiskebøl, já nas Lofoten e onde existe um posto
Shell desactivado, mas com a área de mudanças de AC em
funcionamento. Mesmo a calhar!
Acabados de chegar às
famosas Lofoten, não precisámos de mais de 15 minutos para encontrar
a área de repouso “Anstesfjorden” que fica num promontório, com
vista para o fiorde, e é um local perfeito para pernoitar
(68°18,95'N; 14°42,87'E). Eram 17h30 quando estacionámos e já não
nos apeteceu voltar a arrancar. Fizemos um jantarinho bom (=bifinhos
de frango c/ cogumelos e gelado de bolacha!!) e deitámo-nos cedo
pois fazia muito vento. Às 2 da manhã acordámos. O vento tinha
amainado, ou seja, tinha desaparecido. Abrimos a janela e não
soprava uma brisa! A calma, o silêncio, a beleza do fiorde e da
montanha, a luz ténue eram tais, que achámos que o tempo tinha
parado! É inexplicável. Estes momentos ficam para sempre gravados no
“disco rígido” da nossa memória. (É nestas alturas, por estes
instantes, que nós achamos que vale a pena o investimento duma
viagem destas).
(Total acumulado = 7.265 Km)
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18 de Maio de 2005 -
Vestpollen > Svolvaer [Ilhas Lofoten] (323 Km)
Logo de manhã fui à
pesca. Ainda não foi desta que consegui estrear-me. Limitei-me a
apanhar frio e a perder um “palhacinho”.
Hoje percorremos todas
as Lofoten. Fomos até Ä, a povoação mais a Sul. Passámos por
Henningsvaer, e para tal fizemos um desvio que vale a pena pela
paisagem e quantidade de pontes que temos de passar. (Nota:
Permitam-me que faça aqui referência ao facto de a maior parte das
pontes na Noruega serem bastante altas (por forma a permitir a
passagem de navios por baixo), e apenas de uma faixa para cada
sentido do trânsito. Aqui nas Lofoten muitas delas apenas tem uma
faixa que alterna os sentidos através de semáforos. Ao contrário de
Portugal, a Noruega não esbanja dinheiro em “grandes obras de
engenharia”, as suas estradas são estreitas mas com bom piso. Apenas
o básico mas funcional. É um desconsolo viver num país,
incomparavelmente mais pobre em termos económicos, e que no entanto
se subjuga aos “lobby’s” do betão permitindo um proliferar de vias
megalómanas que não servem mais que os interesses das grandes
construtoras. Querem um exemplo: façam o troço da A8 entre Caldas da
Rainha e Leiria e contem com os dedos de uma mão as viaturas que se
cruzam convosco, nas suas 6 (seis) faixas de rodagem... não estará
esta via desproporcionada?... era mesmo necessário expropriar tantos
terrenos das várzeas de Caldas da Rainha, Alcobaça, Marinha
Grande,…?).
A paragem seguinte foi
em Borg, onde decidimos almoçar. Estava com vontade de experimentar
o peixe das Lofoten, mas não encontrámos nenhum restaurante pelo que
fomos ao supermercado comprar salmão e camarões lá da terra e
almoçámos estacionados junto ao museu Viking que visitámos à tarde.
Como quase tudo, estava a “meio gás”, com zonas fechadas, no entanto
vale a pena, para conhecer como era a vida dos Viking e as suas
actividades do dia a dia. Saímos do edifício principal e descendo a
colina, fomos por um caminho de 1,5 km, até ao barco que se encontra
no fiorde. Dá que pensar como eles se aventuravam no Mar do Norte
com umas embarcações tão rudimentares, estão, literalmente a alguns
séculos das Caravelas Portuguesas. Muitas zonas estão vedadas
(ferreiro, casa agrícola, estábulos) no entanto o bilhete é pago por
inteiro!
Depois de percorrermos a
pé as ruas de Ä, voltamos a Svolvaer para pernoitar no parque de
estacionamento, junto ao embarcadouro do ferry (68°14,12'N;
14°33,20'E), pois se falhássemos o ferry das 8:45h, só poderíamos
embarcar no das 15:45h!!!
(Total acumulado = 7.588 Km)
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19 de Maio de 2005 -
Svolvaer > Saltstraumen (244 Km)
Ontem à noite
interpretámos mal os placard´s e achámos que teríamos um barco às
06:45h. Às 6:30h fomos para a fila 2 porque na fila 1 estava um TIR
com ar de quem não tinha acordado. Afinal o ferry que estava já com
a “boca aberta” ia fazer uma ligação a uma ilha ali perto e voltava
para a travessia para o continente às 8:45h! Voltámos a ligar o
despertador e à hora marcada lá voltou o mesmo ferry. Como estávamos
na fila 2 o cobrador aproximou-se por trás e apercebeu-se da
scooter. Pela primeira vez tivemos de pagar por 7 metros... O preço
dobra!!! Mais de 70 euros!
A viagem dura 2 horas e
tal como nos tinham avisado, o barco abana mais que o costume. Ainda
assim não o suficiente para enjoar. Felizmente!
Desembarcámos em Skutvik
em direcção a Fauske. Alguns quilómetros depois de entrar na E6, à
chegada a Innhavet, encontrámos um posto Shell com máquina de
abastecimento para Ac’s. Abastecemos de água e gasóleo e ficámos
prontos para continuar.
O nosso destino era o
famoso “Straumen”, local de correntes fortíssimas e supostamente de
grandes pescarias... seria desta?! Só tínhamos a indicação que era
antes de Bodø, um pouco antes de Fauske apareceu-nos um “Straumen” e
pensámos que seria aquele. Demos a volta à povoação toda e nada de
grande corrente... apenas uma pequena ponte com um rio nada de
especial. Quando a desilusão se estava a apoderar de nós, decidimos
olhar com atenção para o mapa e reparámos que existe outro
“Straumen”, depois de Fauske, esse sim o verdadeiro, o Saltstraumen
- Não pudemos deixar de rir de nós próprios!
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Quando chegámos, éramos
a única AC. Acertámos com a hora da corrente mais forte e ficámos
admirados com a velocidade com que a água atravessa aquela zona
estrangulada (150 metros de largo por 31 metros de profundidade),
criando inúmeros remoinhos impressionantes. Trata-se do maior
remoinho do mundo!!! 370.000.000 (trezentos e setenta milhões!) de
metros cúbicos de água atravessam aquele estreito a cada 6 horas,
criando a maior corrente do planeta.
Embora não percebesse
porquê, este era um dos pontos que os companheiros franceses nos
tinham indicado como óptimo para a pesca e mesmo não estando ninguém
à pesca na margem, resolvi tentar a minha sorte e à terceira foi de
vez… As correntes trazem grandes quantidades de alimento e os peixes
concentram-se nesta zona para se alimentar. Como estava na hora da
corrente mais forte foi só mandar o palhacinho para dentro de água
que apanhei logo um peixe com mais de meio quilo!!! Passada meia
hora já tinha 4 peixes, num total de 2,7 Kg… Nada mal, para um
estreante!!! Um casal de uma AC alemã que entretanto chegou,
incentivado por tamanha pescaria, também tentou a sua sorte e teve
sucesso.
A sorte foi “sol de
pouca dura” pois, o meu “palhacinho maravilha”, foi levado por um
peixe que, ao fim de 3 puxões, em que quase me partia a cana, partiu
o fio e levou tudo com ele!!! Este era grande de mais para mim…
Acabada a pescaria,
grelhámos o peixe, que pertence à família do bacalhau e que
acompanhado com umas batatas portuguesas, deu um óptimo jantar,
tendo ainda congelado 2 para oferecer aos nossos pais no regresso.
Pernoitámos ali mesmo,
no parque de estacionamento do Saltstraumen (67°13,94'N;
14°36,96'E), onde também ficou outra AC que entretanto chegou.
(Total acumulado = 7.832 Km)
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20 de Maio de 2005 -
Saltstraumen > Mo i Rana (276 Km)
Logo de manhã fui
comprar pão ao supermercado do Parque de Campismo que há ali perto e
aproveitei para comprar mais 2 palhacinhos, com os quais não tive
sucesso nenhum!
Fomos visitar o
Saltstraumen Opplevelsesenter, onde, entre outros motivos de
interesse, mostram um filme sobre o “Straumen”. Antes de almoço
partimos para Bodø onde almoçámos. É mais uma cidade sem nada de
especial. Seguimos viagem em direcção a Mo i Rana.
Parámos no Centro do
Círculo Polar Árctico. É um local muito bonito! É completamente
isolado, num planalto depois de percorrer uma estrada de montanha.
Uma montanha de cumes arredondados, com declives muito suaves e sem
vegetação, está tudo coberto com mais de um metro de neve. Parecia
artificial de tão perfeito! Lindo! É o sítio ideal para se sentir
que se está a entrar na terra do Sol da Meia-noite (quem vai para
Norte, claro). Para nós funcionou como despedida daquelas terras
magníficas e dos dias sem fim! Comprámos o diploma, tirámos
fotografias e fomos presenteados por um sol radiante que melhorou
ainda mais a paisagem.
Chegámos a Mo i Rana e
fomos visitar a cidade a pé. É uma cidade pequena, com um zona
peatonal (como todas) e uns bairros residenciais junto ao molhe com
muito bom aspecto. Sem nos fascinar, é a mais interessante que vimos
até agora.
Perto da meia-noite tive
de pegar no volante e mudar de local de pernoita. Estávamos
estacionados numa avenida perto do centro, da estação e junto à
água, sítio perfeito…, não fosse 6.ª feira e andassem todos os
fanáticos do “Tuning” a acelerar as suas motos e carros na avenida
marginal… Fiz cerca de 5 Km e pernoitámos no parque de
estacionamento de uma zona residencial dos arredores.
(Total acumulado = 8.108 Km)
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21 de Maio de 2005 - Mo
i Rana > Trondheim (493 Km)
Hoje foi o dia todo a
andar. Quase sempre junto a um rio de montanha, com algumas quedas
de água impressionantes. Segundo nos explicaram, este Inverno foi
muito rigoroso, tendo nevado mais que o normal pelo que o desgelo
aumentou os cursos de água, tornando os rios tormentosos e de grande
espectacularidade.
Visitámos MosJoen, onde
calcorreamos todo o centro, incluindo a Sjogata – rua de casas de
madeira muito antigas e bem preservada que são a atracção principal
da cidade. Corre junto à cidade o rio Svenningelva que é, segundo
eles o melhor rio norueguês para a pesca de truta.
Seguimos viagem até
Trondheim, que ao atravessar, à chegada, nos parece uma cidade muito
bonita. Trata-se de uma cidade mais cosmopolita, mais dentro do
nosso conceito de cidade! Estacionámos na frente da Catedral
“Nidarus Domkirke” (63°25,67'N; 10°23,91'E). Como é fim-de-semana o
estacionamento é gratuito.
Fomos dar uma volta a pé
pela cidade e gostámos muito. Esplanadas por todo o lado, bairros
habitacionais de edifícios modernos, sempre com muitas superfícies
vidradas, marinas com pontes modernas... Junto aos canais, na parte
mais antiga, casas em madeira, de muitos cores. Adorámos!
(Total acumulado = 8.601 Km)
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22 de Maio de 2005 -
Trondheim > BergØysund (165 Km)
Logo de manhã fomos dar
mais um grande passeio a pé pela cidade. O mercado de peixe estava
fechado... mas também não parece ser nada de especial.
Fomos visitar a
Catedral, percorremos os jardins do arcebispado e tirámos muitas
fotografias. Esta é até agora a mais bonita cidade da Noruega, muito
simpática e à qual pretendemos voltar.
Depois do almoço rumámos
a Halsa. Fizemos as mudanças de águas numa área para AC, em Salvoya
e apanhámos o ferry para atravessar o “Halsafjorden”. Depois de
desembarcar, seguimos a E39 durante 15 quilómetros, até chegar à
ponte flutuante que procurávamos por ter sido um dos locais que o
casal francês nos tinha indicado como óptimo para pernoitar e
pescar… Atravessámos a ponte e reparámos que estavam 2 AC na área de
repouso (62°59,38'N; 7°52,97'E). Voltámos para trás pois ficámos
certos que era ali mesmo e ao entrar na área, quem é que estava
sentada nas mesas de merenda, já de braços no ar a dizer adeus? A
Sra. Francesa! Que coincidência! Estacionámos e fomos cumprimentar o
casal que encontrámos, faz hoje 8 dias, lá bem mais a norte!!!
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A outra AC era de um
casal suíço muito simpático. Peguei na cana de pesca e fomos todos
para cima da ponte pescar… voltei a ter sorte e apercebi-me de que
estes simpáticos franceses são mesmo fanáticos pela pesca,
(sobretudo ela!) pois enquanto ele só se dedica aos peixes maiores
(elementos com mais de 20 kg, que percorrem o fundo do fiorde a 300
mts de profundidade, e para os quais não usa cana de pesca normal,
mas sim uma corda (?) de nylon atada ao corrimão da ponte!!!, já ela
pesca “cá por cima” como eu, mas com muito mais sucesso.
O nosso jantar voltou a
ser peixe fresquíssimo grelhado e como era o último jogo da
Superliga apontei a parabólica para o chão (nestas latitudes as
parabólicas apontam literalmente para baixo para receber sinal), e
vimos o jogo do Porto em directo e os festejos do Benfica a ser
campeão! (futebolisticamente falando, éramos um casal em que metade
estava contente e metade estava triste…
(Total acumulado = 8.766 Km)
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23 de Maio de 2005 -
BergØysund > Sjoholt (259 Km)
A manhã foi muito calma,
depois do pequeno-almoço, “dediquei-me à pesca”, a minha mulher
ficou a ler. Como não pesquei nada resolvemos ir almoçar a
Kristiansund e voltar mais tarde. A cidade não nos encantou e
resolvemos almoçar numa pizzaria (!) de um turco simpático e bem
disposto. Kristiansund sem ser uma cidade nada de especial, é
servida por um conjunto de obras de engenharia que lhe permitiram
estar independente dos ferry’s. Trata-se da maior ponte flutuante do
mundo, a “Bergøysund brua” (onde pernoitámos), o Freyfjord tunnelen,
com 5 km debaixo do mar e a "Gjemnessund brua", que é a maior ponte
suspensa da Noruega.
Voltámos à ponte
“Bergøysund”, para nos despedirmos dos nossos companheiros franceses
e deixámos-lhes uma garrafa de vinho alentejano como agradecimento
da sua simpatia. Ficámos a saber que são donos de um hotel de
montanha, numa estância de ski dos Alpes Franceses e prometemos uma
visita.
Seguimos para Molde, que
se revelou uma cidade muito bonita, agradável para passear com uma
vista soberba sobre a linha de costa. Tomámos o ferry para Vestnes,
em direcção a Alesund, onde chegámos por volta das 18 horas. Lá
fomos até ao parque de AC (140 NOK/24h) onde fizemos as mudanças de
águas. Estava completamente vazio, decidimos não pagar nem deixar
ali a AC e estacionamos no parque do Lidl para visitar a pé a
cidade.
Alesund é a “capital do
bacalhau”, é a cidade norueguesa com maior tradição nesta pesca e
muitas montras encontram-se decoradas com antigas caixas de conserva
e inúmeros utensílios de pesca antigos. É uma cidade pequena mas
muito bonita, com canais e edifícios bem conservados com as caves
“dentro de água” e muitos barcos. Voltamos ao parque de AC’s para
jantar e resolvi tentar pescar ali mesmo, na beira do parque. E não
é que consegui logo um peixe!? Só que era pequeno (entenda-se menos
de meio quilo…) e devolvi-o ao mar. Passado um pouco houve um que
era grande demais, …partiu-me o fio e fiquei sem nada, levou-me os
últimos palhacinhos…acabou aqui a pesca desta viagem!
O Sol baixou no
horizonte, subimos a um miradouro de onde se vê toda a cidade e o
mar em volta. As cores do fim de tarde ficaram intensas e a vista de
cá de cima é simplesmente soberba. Mais um pôr-do-sol de tirar a
respiração!
Retomámos o nosso
caminho em direcção a Andalsnes e optámos por dormir numa marina
(62°28,75'N; 6°48,78'E) junto a Sjoholt. É mais um daqueles recantos
no fim do fiorde, em que, da janela da AC se tem uma paisagem
deslumbrante (como a minha mulher escreveu no diário de bordo: ”do
local de onde nos encontramos, vemos montanhas com cumes cobertos de
neve a entrarem a pique num mar que ao longe se mistura na neblina,
...aqui perto é um espelho de água que reflecte os montes em
diferentes tons de verde e do lado direito, um carreiro de luzes que
se espelham como riscos a furar o fiorde... e nós aqui... a
felicidade existe e é tão simples!...”).
(Total acumulado = 9.025 Km)
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24 de Maio de 2005 -
Sjoholt > Loen (314 Km)
Durante a noite choveu,
mas o dia amanheceu com sol. Depois do pequeno almoço e de um
passeio pelo pequeno molhe, onde demos pão às gaivotas, partimos em
direcção à estrada dos “Trolls”.
Já nos tinham dito que
estava fechada e que só abria em Junho, mas achámos que seria por
causa das neves e que provavelmente já a teriam aberto... Fomos até
onde pudemos... começámos a subida mas após o primeiro conjunto de
curvas, percebemos que o problema não eram as neves, mas sim
derrocadas de enormes blocos de pedra, provocadas pelo desgelo das
enormes quantidades de neve que este inverno caiu na Noruega e que
danificaram o piso, criando autênticas crateras. Fomos obrigados a
voltar para trás na zona onde tem um largo, a estrada estava mesmo
cortada. Bastante triste por não poder subir este troço de estrada
tão interessante, não resisti a fazer uma caminhada, estrada a cima,
para poder tirar uma fotos deste vale tão escarpado e de um troço de
estrada que pela dureza do relevo e das condições climatéricas
demorou 8 anos a construir e que pelo seu percurso sinuoso e medonho
se acredita “assombrado” pelos “Trolls”.
Feito o desvio de 100
Km, apontámos ao nosso ponto de interesse. O “Geiranger Fjord”.
Diz-se deste fiorde que é o mais belo de todos e posso garantir que
é ...avassalador. A estrada que desce até Geiranger é muito estreita
e sinuosa e vai deixando descobrir os tons verde esmeralda da água
límpida, as escarpas cheias de cascatas e os enormes transatlânticos
fundeados como se fossem de brinquedos!
Aí apanhámos um ferry e
fizemos um cruzeiro de uma hora no “mais belo dos fiordes”, em
direcção a Hellesylt onde desembarcámos para seguir em direcção a
Loen.
Chegámos a Loen à hora
de fazer o jantar e estacionámos na marina (local onde era possível
estacionar mas proibido pernoitar). Ainda que achássemos que ninguém
nos viesse incomodar por ficar ali, não quisemos infringir a lei e
pernoitamos no parque de estacionamento de um pequeno supermercado,
...a 200 mts dali (61°52,31'N; 6°50,84'E).
(Nota: Hoje, pela
primeira vez e ao contrário do costume, fomos nós a ser abordados
por um casal autocaravanista holandês. Eram muito simpáticos,
trocámos muitas impressões sobre esta viagem e ficámos a saber que
se “recusam” a fazer mais de duzentos quilómetros por dia..., estão
reformados e têm todo o tempo do mundo!)
(Total acumulado = 9.339 Km)
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25 de Maio de 2005 -
Loen > Sande (189 Km)
Logo às 9 horas, fomos
ao “Joker” que é o supermercado que nos acolheu esta noite e depois
voltámos à marina para tomar o pequeno almoço. Saímos em direcção a
Olden para depois tomar a estada que nos leva até Briksdal onde
iremos visitar o maior glaciar da Europa – o Jostedalsbreen.
Deixamos a AC no parque
do posto de turismo e iniciamos a subida, a pé, por um vale que é um
cenário idílico. Muito verde, com regatos e ribeiros, cascatas
impressionantes e... centenas dos omnipresentes japoneses, que ao
contrário de nós, sobem em comboínhos de aluguer.
Fomos parando para tirar
fotografias e descansar um pouco. Pelo caminho há uma enorme
cascata, alimentada pelo glaciar, e que o nosso percurso
propositadamente atravessa. Após uma hora e picos de caminhada,
estamos na ponta do glaciar. É impressionante pela dimensão,
sentimo-nos ínfimos! A visão que temos é de uma descomunal massa de
gelo, com cavidades de um tom azul ...límpido!, com grutas de onde
correm pequenas correntes de água... gelada!, a partir de um gelo
formado no último período glaciar!!!
Depois da descida e da
inevitável passagem pela “loja dos recuerdos”, fizemos parte do
caminho (de volta até Olden) outra vez, mas não cansa, pois é uma
paisagem de sonho. O impressionante verde da água é uma constante,
os prados salpicados de flores amarelas, com cavalos e ovelhas, nas
encostas, florestas densas e os cumes ainda cobertos de neve.
Como esta caminhada nos
deixou cansados (mas satisfeitos), resolvemos almoçar numa esplanada
ao Sol que soube a mil maravilhas e presenteá-mo-nos com 2 horas de
descanso à borda de água, de forma que já passava das 18 horas
quando arrancámos em direcção a Bergen.
Acabámos por pernoitar
em Sande, cerca de 20 Km depois de Forde, num parque de
estacionamento (61°19,57'N; 5°47,74'), na margem do rio Gaula (que
leva uma corrente fortíssima), e assim, embalados pelo som das águas
tivemos uma noite descansada.
(Total acumulado = 9.528 Km)
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26 de Maio de 2005 -
Sande > Bergen (153 Km)
Durante a noite começou
a chover e o dia amanheceu muito cinzento com aguaceiros fortes.
Arrancámos em direcção a Lavik, onde apanhámos um ferry para
Oppedal. Seguimos rumo a Bergen e estacionámos na área de AC’s à
entrada da cidade (60°24,45'N; 5°19,33'E). Descansámos um pouco,
retirámos a nossa “fiel escooteira” e lá fomos para o centro da
cidade.
Estacionámos a scooter
junto à Bryggen, a zona antiga, das casinhas de madeira, e fomos
passear a pé por esta cidade bem gira e simpática, que nos pareceu
muito “britânica”, (não estivesse ela de frente e com ligações
constantes a Newcastle). Jantámos no restaurante “Bryggeloftetal
Stuene” que é típico, a comida muito boa (mais uma oportunidade para
experimentar novos sabores: baleia de entrada e alce de prato
principal). Gostámos e... gastámos muito, mais de 100 euros num
jantar para 2!
Fomos dar mais uma volta
a pé e percebemos que havia muitas actividades de rua e muita
animação nocturna. No regresso metemo-nos num túnel e fomos parar ao
outro lado da cidade, tendo tido alguma dificuldade para regressar
pelo caminho certo... mais uns quilómetros de scooter à senhora da
asneira e lá chegámos a “casa”!
(Total acumulado = 9.681 Km)
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27 de Maio de 2005 -
Bergen > Seljestad (223 Km)
Acordámos com chuva, mas
quando saímos já não pingava. Esteve bom tempo e, largando a scooter
no mesmo sítio de ontem, pudemos passear por Bergen sem nos
molharmos! (aqui chove 275 dias por ano!).
Subimos no funicular
Fløybanen, até ao miradouro de Floyen, a 320 metros de altitude e
com uma vista privilegiada sobre toda a cidade. Quando descemos
fomos almoçar ao “Fisk Torget” – mercado do peixe, onde comi uma
sandocha de caranguejo e 1/2 Kg de camarões semi-crus que me
souberam que nem... camarões semi-crus!
Fomos ainda visitar a
“Rosenkrantz Tarnet” que é a torre de vigia da cidade. Construída na
idade média e que decepciona pela absoluta ausência de mobiliário ou
equipamento. Uma torre com aposentos reais, da guarda, calabouços,
etc., mas que só tem mesmo as divisões... mais nada! Valeu pela
vista sobre o mar e sobre a cidade.
No final da tarde
abastecemos de águas e gasolina e partimos em direcção a Oslo.
Primeiro pela E16 até Voss e depois pela 13 (com um ferry entre
Bruravick e Brimnes) até Odda. Pareceu-nos uma cidade simpática e
parámos num parque de estacionamento com intenção de aí pernoitar.
Mas, mais uma vez, é Sexta-feira e ainda não tinha caído a noite já
estavam a chegar os moços do “Tuning”, carro, motos e muito
movimento não auguravam uma noite descansada! Então seguimos caminho
e adorámos aquele troço de estrada que embora estivesse a anoitecer
nos deixou ver uma queda de água com 165 metros de altura! Parámos
às 22 horas, para dormir, antes de Seljestad, num decampado à beira
da estrada, porque já lá estavam 2 AC´s (59°53,19'N; 6°39,39'E).
(Total acumulado = 9.904 Km)
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28 de Maio de 2005 -
Seljestad > Oslo (328 Km)
Esta noite a temperatura
voltou a baixar dos 0ºC. Esta zona onde pernoitámos fica em altitude
e têm algumas infra-estruturas de esqui aqui perto (a julgar pela
diversa sinalização de meios mecânicos que existe na berma da
estrada).
Estamos na zona de
Telemark, onde foi “inventado” o esqui moderno, pelo que fizemos uma
breve visita ao museu de Morgedal, de tributo a este desporto e de
onde saíram diversas tochas olímpicas para os respectivos J.O. de
Inverno.
Mais à frente, em
Heddal, fizemos nova paragem para apreciar a maior igreja de madeira
da Noruega e ficamos muito impressionados com o seu tamanho. São
realmente monumentos de grande beleza e complexidade construtiva que
demonstram o domínio destes povos na utilização da madeira como
matéria prima. Ia haver um casamento pelo que estavam muitas pessoas
com os trajes tradicionais (iguais aos que vimos no feriado de 17 de
Maio – dia da Noruega).
Seguimos o nosso caminho
e a poucos quilómetros da igreja, em Kongsberg, não me apercebi de
uma lomba na estrada. A AC mandou um salto e um estrondo que achámos
que se ia partir ao meio! Não rachou ao meio mas quando liguei a
câmara de marcha-atrás reparei que a scooter não estava na posição
“normal”... Tinha-se partido um parafuso de um dos apoios principais
do suporte (que agarra ao chassis, junto das molas da suspensão da
AC), o suporte “desceu” cerca de 5 cm e balançava muito (sinal que
não estava bem preso e que só poderia ficar pior)!
Parei e depois de
perceber o que tinha acontecido, estacionámos num pequeno parque na
berma da estrada, retirei a scooter, elevei a AC com a ajuda das
rampas niveladoras, e ali mesmo, troquei uns parafusos de um apoio
que não têm a importância estrutural do que se partiu e consegui
resolver a “avaria”. Percebi naquele momento a vantagem de ter
idealizado e acompanhado o processo de execução e montagem deste
acessório... senão nem saberia por onde lhe pegar.
Uma hora e meia depois,
estávamos a rolar novamente (apenas com uma estaladela no
pára-choques traseiro) e contentes por se ter resolvido a questão.
Sem mais percalços e com a scooter bem fixa lá atrás, chegámos a
Oslo. Estacionámos na área de AC’s da marina, à entrada da cidade e
em duas rodas, fomos para o centro.
Como não vimos o posto
de turismo, fui a um Rica Hotel (há pelo menos um em cada cidade
noreguesa!) e arranjei uma planta da cidade. Já eram horas de jantar
e optámos pelo nosso conhecido Peppes Pizza (8 contos!) que para
restaurante até já achámos barato!!!
Demos mais umas voltas
pelo centro e resolvemos regressar à AC. Só que existem (n) marinas
e (n+1) maneiras diferentes de lhes chegar... perdemos quase uma
hora, às voltas na scooter, até encontrarmos a entrada da nossa!
Enfim quando entrámos na AC, tivemos mesmo a sensação de “Lar, doce
lar!”. Este foi um dia agitado!
(Total acumulado =
10.232 Km)
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29 de Maio de 2005 -
Oslo > Dingle (216 Km)
Acabámos por preguiçar
como de costume e lá fomos de novo para o centro de Oslo. Deixámos a
scooter em Radhusplass e fomos passear a pé.
Aker Brygge é uma zona
nova, em frente ao City Hall, com uma moderna marina, cheia de
veleiros e muito movimentada num domingo solarengo. Fomos aos
jardins do Palácio Real e seguimos pela Karl Johans Gate (a
principal avenida da cidade, no enfiamento do palácio real), até à
Central Station, junto à qual almoçámos. Regressámos à scooter para,
desta vez sem enganos, voltarmos para a AC.
Mudança de águas e tudo
reabastecido, lá rumámos a Gotenburgo, com o intuito de parar por
volta das 18 horas para ver a final da Taça de Portugal. Parámos em
Sarpsborg, numa área de serviço, e vimos o Vitória de Setúbal vencer
a Taça!
Quando estávamos a
chegar à fronteira, e visto que não iríamos mais precisar de coroas,
comprámos umas garrafas de refrigerante a 3.5 €... Mais valia ter
metido os trocos de gasóleo! Enfim!
A pernoita foi em
Dingle, numa zona residencial muito calma, no parque de
estacionamento de um supermercado... também já começa ser um
clássico!
(Total acumulado =
10.448 Km)
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30 de Maio de 2005 -
Dingle > Alborg (211 Km)
Saímos cedinho e rumámos
a Gotemburgo. Mal chegámos fomos comprar o bilhete do ferry (o
último era às 18:30h), pelo que comprámos para este visto que eram
11h e teríamos tempo para visitar a cidade. Com o bilhete na mão,
fomos para o centro da cidade à procura de um parque para
estacionar. Quando, após algumas voltas, conseguimos um lugar (de
uma Sra. que saía com o seu Saab), e era um lugar largo como nos
convinha, um sujeito “asiático”, vem de outra fila, aproveita o
movimento de saída da Sra. e rouba-nos o lugar! Eu nem queria
acreditar! Apitei-lhe e disse-lhe que o lugar era meu... O fulano
fez que não entendeu, estacionou e foi-se embora. Ora com tantos
sítios para isto me acontecer, vai logo ser na Suécia, supostamente
o país com um dos níveis de civilização, educação e civismo mais
elevados do mundo!? Pois é..., só que o sujeito, de sueco só tem (na
melhor das hipótese) um carimbo no passaporte...
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Continuamos a procurar,
mudámos de parque e procurámos, e procurámos..., mas simplesmente
não havia lugar em lado nenhum para estacionar. Chegou a saturação!
E ao fim de 2 horas às voltas pela cidade resolvemos que, (tal como
tinha acontecido com Hammerfest), se a cidade “não gosta” de nós,
fazemos-lhe a vontade e vamos embora!
Voltámos ao porto de
embarque da Stella Lines e trocámos o bilhete pelo do próximo ferry
para Frederikshavn. Saía às 16 horas pelo que ainda tivemos tempo
para ir a correr gastar a últimas coroas suecas num hamburger
enquanto a AC ficou mal estacionada junto ao portão de embarque!
Ainda assim, ficámos com
pena de não poder ver melhor esta cidade, que pelo que nos pudemos
aperceber das voltas que demos, é muito interessante.
Desembarcámos às 19:30h
em solo dinamarquês e seguimos viagem em direcção a Aalborg debaixo
de um Sol lindo de fim de tarde. Estacionámos num parque de
estacionamento (57°02,97'N; 9°55,66'E), junto à água e mesmo em
frente a uma rua peatonal que acedia à zona central da cidade.
Fomos passear a pé, a
cidade (ás 21h) estava quase deserta, só os restaurantes e os bares
tinham algumas pessoas, no entanto achámos a cidade muito simpática,
várias rua só para peões, lojas, restaurantes e bares com muito bom
aspecto. Gostámos muito, esperamos voltar.
(Total acumulado =
10.659 Km)
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31 de Maio de 2005 -
Alborg > Vallenciennes (1.138 Km)
A noite passada
recebemos a triste notícia do agravar do estado de saúde de um nosso
familiar muito querido, pelo que decidimos apressar a nossa chegada
a Portugal.
Arrancámos cedo e
fizemos as mudanças de águas numa estação de serviço da auto-estrada
(pareceu-nos que todas as estações de serviço das auto-estradas têm
área para AC’s). Foi o dia todo a andar parando o mínimo possível,
fazendo quilómetros atrás de quilómetros até serem horas de dormir.
Assim atravessámos a Dinamarca, a Alemanha e a Bélgica de uma
assentada só e fomos dormir na mesma área de serviço em que ficámos
à vinda, em Vallenciennes – La Sentinelle.
(Total acumulado =
11.797 Km)
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1 de Junho de 2005 -
Vallenciennes > Bilbao (1.061 Km)
Inevitavelmente não
conseguimos arrancar cedo. Foi todo o dia a andar. A passagem por
Paris foi rápida (½ hora) e só largámos a auto-estrada em Poitiers
para voltar a entrar em Bordéus.
Quando entrámos em
Espanha, enganámo-nos no caminho e fomos por onde não costumamos ir.
Pela auto-estrada Bayonne/S. Sebastian/ Bilbao/ Burgos. Parámos para
dormir na 1ª área de serviço que encontrámos e que ficasse aberta
toda a noite: “Amorebieta 2”.
(Total acumulado =
12.858 Km)
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2 de Junho de 2005 -
Bilbao > Porto (744 Km)
Mais um dia inteiro a
andar. Almoçamos em Tordesillas e entrámos em Portugal por Vilar
Formoso, onde graças a uma rotunda que não o é... (daquelas
atravessadas pela estrada com prioridade mesmo ao meio), íamos
ficando sem frente, foram milímetros entre nós e um autocarro de
passageiros que tinha prioridade!!!. Valeu-me uma sapatada no travão
que ía fazendo a scooter atravessar o quarto e a sala...
O I.P.5 estava em obras
pelo que nos levou muito tempo a percorrê-lo. Quando as obras
estiverem concluídas parece ser uma boa alternativa para futuras
viagens.
A chegada ao Porto
serviu para matar as saudades de uma parte da nossa família que,
apesar dos problemas de saúde, regozijou com a nossa aventura.
(Total acumulado =
13.602 Km)
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3 de Junho de 2005 -
Porto > Óbidos (239 Km)
Passámos o dia com os
meus sogros, tios e primos a descansar destas últimas etapas
desgastantes e no final da tarde arrancámos para Óbidos, para a
nossa “casa fixa”, onde nos esperavam a nossa restante família e
toda a nossa “animalária”. As saudades eram mais que muitas!
Chegou assim ao fim a
nossa (até agora!) maior aventura. 36 dias longe de casa, quase
14.000 km percorridos e mais uma vez chegamos com projectos para
próximas férias e muita vontade de os concretizar, só que por este
ano já não há mais!
(Total acumulado =
13.841 Km)
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