Procurando ir de encontro ao fulcro do nosso problema de base que é: como promover o AC na sociedade transformando-o num turismo interessante ao seu desenvolvimento.
Pois é! É aqui que as coisas falham. !
A sociedade é constituída por um conjunto de interesses, muitas vezes não assumidos publicamente e geridos em esferas não acessíveis à grande maioria das pessoas. Quando nós falamos e trocamos opiniões, entre pares, somos organizados por uma lógica de acção concreta e aí é fácil, pois todos os participantes têm a percepção do que está correcto ou não. Quando queremos intervir no geral há a necessidade de criar estruturas representativas com capacidade de aí intervir. E essa capacidade mede-se pela percepção que o local de intervenção, neste caso a sociedade, tem do movimento representado. O que temos tido no AC são estruturas de 1º nível, organizadas para realizar actividades entre pares. Falta dar o outro salto que é a criação de estruturas de2º nível que não esqueçam as actividades entre pares e que, assente nelas, tenham capacidade de intervir em outras instâncias. Até aqui nós não fomos capazes de as criar, pois para isso é necessário descentrarmo-nos. Isto é observável ao percorrer a net e verificar a quantidade de “boas soluções” que por lá existem. Cada um avança com a sua ideia e ela é a melhor de todas. E o que se tem conseguido com isso?
Qualquer sociedade funciona sustentada numa cultura de base. É essa cultura que permite desenvolver verdadeiros processos de participação. A nossa infelizmente está minada por um processo de Sebastianismo, estamos sempre à procura de alguém que faça aquilo que nós achamos que está certo mas com o pressuposto da nossa demissão.
Isto é tanto mais grave quanto nós, inconscientemente, nos nossos próprios processos, funcionamos dominados pelo mesmo princípio.
Tudo isto para vos tentar fazer entender o que sinto ao ver os comentários ao programa BIOSFERA. Por um lado o meu ego sente-se bem, mas por outro eu sei que ao personalizarem em mim, em detrimento do colectivo, estamos a reproduzir os modelos de funcionamento social que considero errado.
É urgente desenvolvermos processos de participação onde nos possamos sentir construtores e responsáveis. Só desta forma deixamos de ficar constantemente à espera que apareça um “D. Sebastião” que resolva os problemas e assim deixarmos de dar oportunidade aqueles que, de vez em quando, aparecem, por aí, oferecendo soluções e que mais não pretendem do que ganhar protagonismo e ascender socialmente.
A direcção do CPA está determinada a desenvolver uma estrutura descentralizada por regiões onde numa relação de proximidade se possam vir a desenvolver iniciativas que respondam de forma célere, adaptadas às exigências locais e criando condições para uma maior participação e com isso ganhar visibilidade e capacidade para intervir em instâncias de nível superior.
No fim-de-semana de 15 a 17 de Outubro vamos (CPA) realizar em Penela um encontro que visa principalmente discutir estes problemas e procurar formas de os ultrapassar. Apareçam que eu estarei lá para, cara a cara, falarmos disto e de tudo o que verdadeiramente interessa ao AC.
Mais informação em
http://cpa-autocaravanas.com/forum/index.php/topic,1986.msg12937.html#msg12937