Boa tarde,
Deixo um pedido a todos os intervenientes, que é de discutirem ideias (neste fórum discute-se ideias e não pessoas), deixando as nossas ideias, mas sem fazermos uso de agressividade. Não será por isso que a nossa mensagem passará melhor.
Posto queria deixar também algumas reflexões/considerações sobre o assunto aqui discutido.
Começo por perguntar se foi desta que a preocupação (que eu partilho) que o meu amigo Paulo Rosa deixou, aqui neste tópico
http://www.campingcarportugal.com/forum ... 8119#28119,
sobre a posição do Presidente da AECAMP em relação ao autocaravanismo, teve resposta.
Não é sem alguma apreensão que eu vejo duas entidades como a FCMP e a AECAMP estarem presentes nestas importantes reuniões, já que se tratam de entidades cujas posições em relação ao autocaravanismo têm sido, no minimo, discutiveis, e isto apesar da abertura que a FCMP demonstrou ao ter assinada a declaração de principios.
Também considero que no dia em que o autocaravanismo, esteja confinado a sairmos de nossa casa e andarmos de A.S. em A.S., ou de parque de campismo em parque de campismo, talvez seja melhor vender a autocaravana, contudo, penso que deve haver bom-senso e buscar diferentes soluções para diferentes problemas. Por exemplo, quando eu era uma criança, não me lembro do transito e estacionamento em Lisboa constituir um problema, contudo com o aumentar do parque automóvel houve que buscar diferentes soluções, porque era impossível à cidade comportar com todas as viaturas que pretendem entrar e estacionar, e apareceram os parquimetros, os estacionamentos subterraneos, os grandes estacionamentos nas entradas junto às estações de metro, etc., ou seja, houve que dar respostas ao aumento do trafego automovel e isso não foi certamente feito
para discriminar os mesmos, mas sim em buscas de soluções.
Um pouco à semelhança disto, parece-me que há que arranjar uma solução para os locais de grande procura, situação que no Algarve é potenciada pelas largas centenas de autocaravanas estrangeiras que cruzam a nossa fronteira, procurando em exclusivo o clima algarvio e aí permanecendo normalmente de Novembro a Abril. Uma parte delas pratica o
autocampismo, mas se forem empurradas para os camping’s eles não irão, vão antes procurar outros locais, e as suas receitas acabam por constituir um valor que não deveria ser desprezado por um país que tão necessitado está de entrada de receitas externas.
Considero que uma possivel solução para este caso passa pela criação de zonas de estacionamento/Camper Park’s como existem alguns exemplos por essa Europa fora, precisamente em locais igualmente de grande procura; essas zonas deveriam ser implementadas de modo a permitirem o acesso aos pontos de interesse (praia, centros da povoação, etc.), com uma tarifa reduzida na ordem dos 5 € por noite, com lugares bem marcados, para não dar origem aos famosos quadrados de toldo aberto. Conhecedor como ninguém desta situação, o Paulo dará certamente uma opinião segura sobre este assunto. Claro que se ele pensasse só em si, preferia que estes estrangeiros nem aparecessem o que certamente facilitaria as suas saídas de fim-de-semana de Inverno, já que certamente não haveria tanta proibição e multa.
Outra questão que eu tenho visto muito aqui colocada recorrentemente, é de quem tem ou não legitimidade para tomar acções no que ao autocaravanismo diz respeito, por isso vou deixar algumas questões que me vieram à cabeça:
- Se segundo a ACAP já serão cerca de 8.000 as autocaravanas em Portugal (para mim até diria que são mais, mas vou acreditar nos números da ACAP), quem representará pelo menos 4001 autocaravaistas?
- Qual será o modelo mais eficiente? O ter um grande clube nacional com milhares de sócios, ou vários clubes pequenos com número de sócios na casa das dezenas/centenas e de ambito regional? Se olharmos para o modelo francês vemos que encontramos vários pequenos clubes de ambito regional, mas eles têm o Comité de Liaison du Camping-Car, entidade bastante forte e que toma as acções, nomeadamente as que dizem respeito às discriminações em relação às autocaravanas, entidade essa que não existe equivalente em Portugal.
- Por último se fosse criada a Federação Autocaravanista (que a ser viável seria certamente melhor para o autocaravanismo do que a de Montanhismo), será que conseguimos sequer formar uma lista para a dirigir? É que nos últimos anos, para o maior clube português de autocaravanas, nunca apareceu mais do que uma lista candidata, e para formar uma única lista, as dificuldades foram mais que muitas.
Cumprimentos